ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O FIM DOS CORDEIRINHOS



WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Terça-feira, 08 de Novembro de 2011.


Os policiais sempre foram usados como precursores e propulsores de processos políticos eleitoreiros.

Permito-me, como um humilde marquês, uma rápida análise sobre a crise, inúmeras vezes prevista e anunciada aqui da minha torre, que ora envolve o governo e as organizações policiais. Envolve o governo atual como os que o antecederam nas últimas décadas, embora os episódios de hoje sejam os de maior gravidade. Não se enganem, a polícia não vai parar e por polícia peço que entendam aqui, num bloco só, a militar e a civil. E não vai parar não por ser levada ingenuamente pelos argumentos, pelos processos escorregadios do Piratini, que estão sob a luz diáfana da transversalidade petista. Tanto os profissionais da Polícia Civil como os da Brigada Militar têm plena consciência dos papéis que desempenham não como estóicos ou samaritanos anjos da guarda da sociedade, mas como membros dessa mesma sociedade, pois nela eles estão com as suas famílias. Sigam-me

Molecagem

Os delegados da Polícia Civil exigem equiparação salarial com os procuradores do Estado. Os oficiais de nível superior da Brigada Militar exigem isonomia com os delegados. O Piratini não apresentou um plano que conduza a tais objetivos. Propôs o governo, simplesmente, um aumento de 10%, em duas parcelas, a partir do próximo ano, o que foi considerado uma molecagem pela liderança da Polícia Civil. Diante desta moldura, os delegados, que já receberam o apoio das entidades de nível médio da corporação, decidiram, entre outros pontos, mudar seu comportamento no entorno de ações operacionais que extrapolem as cargas horárias de suas atividades. No próximo dia 19, os oficiais superiores da Brigada Militar estarão realizando uma assembleia geral cuja tendência é a de decidir por seguir diretriz semelhante ou igual à definida pelos delegados.

Espírito

Uma coisa é interpretar ao pé da letra a decisão dos delegados e, outra, bem outra, é entender o espírito da coisa. Arrisco o entendimento de tal espírito. Ocorre que os governos, por décadas, têm usado os profissionais dos organismos policiais como precursores e propulsores de processos políticos eleitoreiros. E estamos bem próximos de uma eleição. E não se pode negar que uma parte significativa desses profissionais, ora pela paixão pela sua vocação, ora por temor, ora por ambicionar galgar, rapidamente degraus em sua carreira, se submete a esses processos. Pois são exatamente os grilhões dessa submissão que os profissionais da segurança estão procurando romper. Em homenagem à sociedade, eles não vão parar, pois são parte dela, mas é bem possível que eliminem, com máxima dignidade, dentro de si, o cordeirinho que nunca deixa de obedecer ao carinho cínico ou os berros de seus donos.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Muito bom o artigo, em especial o título que reflete os sentimentos dos policiais do RS em todos os níveis. Os governantes utilizam artimanhas para depreciar os servidores do Executivo, mantendo seus salários de governador e Presidente em níveis bem abaixo dos Poderes Legislativo e Judiciário, "esquecendo" a validade do dispositivo constitucional previsto no inciso XII do artigo 137 da constituição federal. Eles quebram a harmonia entre os Poderes para colocar no fundo do poço e embaixo das botas a dignidade salarial do servidor do Poder Executivo. Como isto, nivelam por baixo todos os níveis de gestão e de execução, enquanto os Poderes Legislativo e Judiciário continuam pagando salários justos aos seus servidores dos dois poderes, aos magistrados e aos parlamentares. Por outro lado, o mesmo poder que usa esta artimanha demagógica sinalizando que não há dinheiro para pagar mais, aceita pagar, sem qualquer restrição, aos Promotores de justiça e Procuradores o mesmo teto pago ao cargos do Judiciário e Legislativo.

Portanto, chega de "cordeirinho", por mais militar ou policial estadual que seja. Chega de ouvir promessas em favor da segurança pública pagando salários indignos e discriminatórios. Devemos dar uma basta ao nivelamento por baixo do agente da polícia civil ou militar estadual com atribuições de execução que recebem salários bem abaixo do que ganham um motorista ou auxiliar de serviços gerais do Judiciário e do Legislativo. Chega de nivelar por baixo os Delegado de Polícia e o Oficial da Brigada Militar que chefiam, comandam e dirigem dezenas e centenas de policiais em operações, ações e jornadas estafantes e perigosas atendendo as emergências de risco, investigando no submundo do crime e enfrentando bandidos cruéis, drogados, portando armas de guerra e dispostos a tirar a vida de policiais e terceiros.

Enquanto os policiais colocam a vida em risco, perseverança e esforço fora do comum, outros só pegam a bandidagem em situação acuada, rendida e prometendo arrependimento e mudança de vida.

Qual será o motivo desta discriminação?

Até posso contemplar os motivos como, por exemplo, pagar pouco e aí oferecer uma "CCs" incorporada que triplica os salários e desvia o policial dos riscos da profissão e da jornada estressante para servir de motorista, segurança, assessor de um político, magistrado ou promotor. Ou pagar pouco para os cargos do Executivo, e assim sobrar dinheiro público para manter as máquinas caras e os salários elevados da justiça e do parlamento. Ou pagar pouco, pois os policiais estaduais são "pau-pra-toda-obra", e estão sempre disponível e pronto para receber ordens e missões. Não precisam de salários, pois são homens serviçais e dedicados ao dever, assim como eram os gladiadores e os guerreiros de antigamente. Só que os gladiadores eram escravos, e o guerreiros ficavam com o espólio, que hoje significa corrupção.