ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DELEGADOS REAGEM A COMENTÁRIO NA REDE FEITA PELO SECRETARIO DE SEGURANÇA DO RS

CRÍTICAS NA REDE - Comentários de secretário incomodam delegados. Airton Michels disse que suas palavras durante uma reunião foram distorcidas na rede social - FRANCISCO AMORIM

Comentários feitos pelo secretário da Segurança Pública, Airton Michels, em uma reunião com delegados na segunda-feira causaram mal-estar na corporação. Ontem, cerca de 170 delegados teriam criticado em um grupo de discussão na rede social Facebook afirmações feitas pelo titular da pasta em relação ao pagamento de diárias e ao valor dos salários pagos aos policiais.

O desconforto parou na internet após um encontro entre Michels, o chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Júnior, e os diretores de departamento da Polícia Civil. No cerne da polêmica, um comentário do secretário sobre o valor da diária, cerca de R$ 72, a ser pago aos delegados que se deslocarem ao Litoral para trabalhar durante a temporada de veraneio.

Indagado sobre o valor considerado baixo pelos policiais, Michels teria concordado e lembrado da história de amigos policiais que “alugavam casas em grupo para lá da Paraguassu”. A afirmação parou na rede como uma sugestão de Michels aos policiais, levando a um onda de críticas na internet.

– Durante o encontro, um delegado falou do valor das diárias. Concordei que era baixo e lembrei que amigos meus alugavam casas em grupo. É um problema histórico. Não insinuei, nem dei sugestão neste sentido – afirmou Michels ontem a Zero Hora.

Outra afirmação que causou transtorno entre os delegados foi feita no final do encontro quando Michels foi lembrado da dificuldade de os delegados manterem filhos em redes particulares de ensino. Na internet, a versão é de que Michels teria sugerido aos delegados colocarem seus filhos em escolas públicas. Novamente, Michels disse ter tido sua frase distorcida:

– Um delegado comentou das dificuldades. Eu então perguntei quanto ele pagava, já que não tenho mais filhos na escola. Ele disse que pagava R$ 1 mil de mensalidade. Comentei que, se o policial tem três filhos, realmente fica complicado. Sabemos dos problemas, estamos trabalhando para aumentar salários, mas não se faz isso em um ano de governo apenas.

Procurado ontem pela reportagem, o presidente da Associação dos Delegados, Wilson Müller, preferiu não comentar o assunto. Amanhã, ele deve conversar com representantes da pasta e da Casa Civil sobre questões salariais. A onda de protestos virtual também deve entrar na pauta.

– Soube do fato, mas não vou comentar publicamente o que ocorre em uma reunião da administração policial – disse Müller.


O que disse AirtOn Michels, secretário da Segurança Pública, sobre o que
considerou uma distorção de seus comentários:


- É uma molecagem.