ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

GUILHOTINA - VENDA DE CHARUTOS CUBANOS E ARMAS APREENDIDAS

Dos charutos cubanos à revenda de armas apreendidas para o tráfico - 12/02/2011 às 00h24m; O Globo

RIO - O inspetor Leonardo da Silva Torres, o Trovão, conhecido por fumar charutos cubanos durante operações em favelas do Rio, era chefe de uma das quadrilhas desmanteladas na Operação Guilhotina . Relatório da PF mostra que o grupo comandado por ele era formado pelo PM Aldo Leonardo Premoli Ferrari, e pelos inspetores Flávio de Brito Meister, o Master, e Jorge do Prado Ramos, o Steve, ex-integrantes da Delegacia de Combate às Drogas (Decod).

O grupo, segundo a PF, negociava armas arrecadadas em operações policiais, com os traficantes Nem da Rocinha e Roupinol. Os bandidos ainda pagavam mensalmente, cada um, R$ 50 mil aos policiais para receber informações sobre ações policiais em sua comunidades.

O bando chefiado pelo inspetor Torres costumava revender para Roupinol armas e drogas apreendidas em favelas dominadas pela facção rival. Foi o que aconteceu em 2009, após o grupo realizar uma operação no Morro da Mangueira. Na ocasião, uma metralhadora .30 apreendida na ação foi desviada e vendida para Roupinol. A investigação cita várias outras negociações conduzidas por Torres, que estava lotado na 17 DP (São Cristóvão.

Um dos trechos da interceptação telefônica feita pela PF mostra que até as mulheres dos policiais sabiam do envolvimento deles na venda de armas. Numa das conversas, a mulher do policial Ferrari fala literalmente que o marido estaria vendendo um fuzil, que havia sido apreendido numa operação. O grupo também aparece negociando pistolas Glock e dois fuzis AR-15, que não acabaram não sendo entregues ao bando de Roupinol, que já havia pago antecipadamente.

O bando do inspetor Torres também participou da "garimpagem" no Complexo do Alemão. De acordo com o relatório da PF, o inspetor teria encontrado R$ 2 milhões no alto do Alemão. O dinheiro, segundo escutas, foi retirado da Vila Cruzeiro dentro de uma picape durante a fuga de traficantes para o Alemão.


Complexo do Alemão, uma 'Serra Pelada' para os policiais corruptos - O GLOBO, 12/02/2011 às 00h25m; Sérgio Ramalho


RIO - A investigação que resultou na "Operação Guilhotina" detalha a atuação de policiais civis, militares e informantes em quatro bandos envolvidos numa série de crimes. A análise do relatório da Polícia Federal revela, por exemplo, que durante a ocupação do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, em novembro passado, integrantes de três das quatro quadrilhas transformaram a região numa zona de garimpo. Em interceptações telefônicas, os policiais se referem à localidade como "Serra Pelada" - referência ao garimpo no Pará, que ganhou notoriedade na década de 80.

Dos bandos investigados, o mais numeroso era comandado pelo delegado Carlos de Oliveira, ex-subchefe Operacional da Polícia Civil, que contava com pelo menos 21 integrantes e agia como uma milícia, dominando a Favela Roquete Pinto, em Ramos. O grupo também participava de operações em que armas e munição apreendidas eram desviadas para abastecer o grupo paramilitar ou revendidas a bandidos.

A investigação da Polícia Federal mostrou que o desvio de armas e drogas apreendidas em operações policiais também era praticado por integrantes de outros dois grupos. Um deles chefiado pelo inspetor Leonardo da Silva Torres, o Trovão, que teria vendido ao traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, uma metralhadora .30, encontrada durante operação no Morro da Mangueira, em 2009. O quarto bando, chefiado pelo inspetor Helênio Dias Rodrigues, atuava na segurança de bingos em Botafogo, Bonsucesso e Guaratiba.