ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

DESMONTE DA PM DA GOIÁS

DIÁRIO DE PERNAMBUCO - 16 de fevereiro de 2011

A Polícia Federal prendeu ontem o subcomandante da Polícia Militar de Goiás, coronel Carlos Cezar Macário, e mais 18 policiais acusados de envolvimento num dos mais temidos grupos de extermínio do entorno do Distrito Federal, suspeito de executar aproximadamente 40 pessoas, entre elas mulheres e crianças.

Na Operação Sexto Mandamento, a PF investiga ainda o envolvimento dos ex-secretários de Segurança Ernesto Roller e da Fazenda Jorcelino Braga com o grupo. Ex-candidato a vice-governador, Roller é hoje procurador-geral de Goiás. O número de vítimas pode ser ainda maior. A PF não fechou a contabilidade da matança.

O caso é considerado tão grave que até a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, foi chamada para ajudar a PF na fase inicial da apuração. Entre os presos, está o tenente-coronel Ricardo Rocha Batista, apontado como o chefe operacional do grupo. Ano passado, Batista se candidatou a deputado federal com um discurso em favor da repressão policial, mas não se elegeu.

Os policiais são acusados de simular confrontos para disfarçar as execuções. O grupo teria surgido com a ideia de matar criminosos supostamente sem chances de recuperação. Mas, na caçada aos bandidos, o esquadrão teria matado mulheres e crianças como queima de arquivo.

Ernesto Roller e Jorcelino Braga são suspeitos de facilitar a promoção funcional dos policiais suspeitos e, com isso, atrapalhar as investigações sobre os crimes. Os dois ex-secretários prestaram depoimento, em Goiânia. As investigações começaram em 2009. A PF anunciou a criação do e-mail denuncia.srgo@dpf.gov.br para receber informações sobre possíveis vítimas do grupo. O nome da operação é uma referência ao sexto mandamento bíblico, ´Não matarás`.