ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

GUILHOTINA - INVESTIGADO UM DOS AUTORES DO LIVRO "ELITE DA TROPA 2"


Delegado investigado na Operação Guilhotina foi um dos autores de 'Elite da Tropa 2', que inspirou o filme sobre o crime no Rio - O GLOBO, 14/02/2011 às 23h47m; Carla Rocha

RIO - A crise na cúpula da Polícia Civil atinge um personagem conhecido por ter encabeçado nos últimos anos um dos mais duros combates ao crime organizado no Rio. Um dos autores do livro "Elite da tropa 2" - que deu origem ao filme campeão de bilheteria -, o delegado Cláudio Ferraz tem sua biografia diretamente ligada a uma série de investigações que desarticularam vários grupos de milícias no estado e levaram à prisão nomes como do ex-deputado Natalino Guimarães e seu irmão, Jerominho, à frente de atividades paramilitares na Zona Oeste.

No livro, tratado como ficção, as histórias de Ferraz foram consideradas fundamentais para dar verossimilhança à trama, que conta um pouco do dia a dia da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizada), justamente a unidade em que ele estava à frente na época. Foi Ferraz, ao assumir a especializada, que escolheu os milicianos como inimigos número um. Há muito ele dizia que a milícia se tornaria mais poderosa do que o próprio tráfico.

- Costumo dizer que o Cláudio está sempre à frente, enxerga antes o que os outros delegados ainda não viram. É uma característica dele. Foi o primeiro a investigar grupos de milícia, quando pouco se falava do problema - observa Rodrigo Pimentel, um ex-caveira que, depois de assinar o primeiro "Elite da tropa", se afastou do front para se dedicar de vez a função de analista de segurança.

Depois de ter sido deflagrada a Operação Guilhotina - que prendeu 38 pessoas, entre elas o subchefe de Polícia Civil, delegado Carlos Oliveira -, Cláudio Ferraz foi bombardeado diretamente pelo chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski. A Draco está sendo acusada de prática de extorsão contra prefeituras. Antes disso, Turnovwski, muito próximo dos policiais que foram para a "guilhotina", tivera que passar pelo constrangimento de se explicar à PF.

Independentemente de serem verdadeiras ou não, Pimentel acredita que as acusações, por terem sido feitas agora, são uma consequência clara dos últimos acontecimentos.

- Parece uma queda de braço do chefe de polícia com o secretário de Segurança.

Para aumentar as especulações, sobre uma disputa interna, paralelamente aos fatos concretos, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, um dia antes de a operação ser deflagrada, nomeou Ferraz subsecretário de Contrainteligência. Com a canetada, ele ganhou o poder de investigar os colegas. E mais. Também tirou a Draco do âmbito da Polícia Civil para responder diretamente à pasta da segurança.

Um encadeamento de fatos que explica, de certa forma, o ríspido comentário feito nesta segunda-feira pelo ex-chefe de investigação da Draco, Jorge Ghehard, sobre a decisão de Turnowski de investigar a delegacia, que teve a porta lacrada:

- É uma farsa montada por uma pessoa desesperada que está prestes a ir para a prisão.

Presidente da CPI das Milícias, o deputado Marcelo Freixo, enxerga uma clara tentativa de desmoralizar Cláudio Ferraz, que considera de sua inteira confiança:

- Ninguém é tolo no Rio para acreditar neste tipo de coisa. Acho que é o caso do próprio governador Sérgio Cabral se manifestar, pois já não se trata de um caso de polícia, mas de segurança pública.