ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

GUILHOTINA - POLÍCIA CIVIL DO RIO ESTÁ ABALADA

Polícia Civil está abalada, já a Polícia Militar está em alta por conta de UPPs - 12/02/2011 às 00h24m; O Globo


RIO - Embora tenha prendido policiais civis e militares, a Operação Guilhotina atingiu em cheio a Polícia Civil. Com a prisão do ex-subchefe operacional do órgão Carlos Oliveira , a imagem da corporação ficou arranhada no momento em que a Polícia Militar está em alta com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Oliveira participou de várias operações importantes no Rio e era homem de confiança do chefe de Polícia, Allan Turnowski.

Para o diretor do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) Geraldo Tadeu Monteiro, a operação tem efeito imediato na confiança da população, que vê as prisões como a confirmação das suspeitas de corrupção e enriquecimento ilícito que pesam contra a polícia. Geraldo, que coordenou pesquisas sobre a confiança dos moradores na polícia, acredita que a imagem da Polícia Civil não deverá sofrer queda ainda mais acentuada:

- De forma geral, a confiança da população sempre foi muito baixa nas polícias Civil e Militar. Quando fizemos as pesquisas, girava em 25%. Não acredito que essa operação resulte em baque ainda maior. A PM, por outro lado, vem conquistando a confiança, sobretudo nas comunidades com UPPs.

Coordenadora do Projeto de Segurança de Ipanema, Ignez Barreto confia na recuperação da imagem da Polícia Civil. Para ela, apesar do impacto da Operação Guilhotina, a ação pode ser interpretada como uma tentativa da polícia de depurar os seus quadros:

- Casos como estes (prisões de policiais) afetam a imagem da polícia. Mas há a vontade de implantar uma política de segurança no Rio, que passa pelo afastamentos dos maus policiais.

PF invadiria Rocinha em 2009 para prender traficantes, mas houve vazamento - O GLOBO, 12/02/2011 às 00h24m; Antônio Werneck

RIO - A operação batizada de "Guilhotina" , desencadeada nesta sexta-feira pela Polícia Federal para o cumprimento de 45 mandados de prisão contra policiais civis e militares, começou em 2009 com o nome de "Operação Paralelo 22", comandada pelos policiais federais de Macaé. Investigando as ramificações da quadrilha do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, originário daquela cidade, e seu braço direito e sócio, o traficante Anderson Mendonça Coelho, o Coelho, os federais descobriram que os bandidos contavam com uma rede de colaboradores em delegacias e batalhões. Em troca de gordas propinas mensais, os policiais avisavam aos traficantes quando haveria operações.

Um dos mais graves vazamentos ocorreu em setembro de 2009. Depois de localizar Roupinol - morto em 2010 numa operação da Polícia Civil - na Favela da Rocinha, onde vivia sob a proteção do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, um dos bandidos mais procurados pela polícia do Rio, os federais pediram a colaboração da Secretaria de Segurança e montaram uma operação. Para traçar uma estratégia de ação, uma equipe da cúpula da polícia do Rio se uniu aos policiais federais na própria secretaria.

A operação foi marcada, então, para a madrugada do dia 3 de setembro de 2009 - um dia antes, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) conseguiram se infiltrar no morro e permanecer escondidos. Mas todo o sigilo não foi suficiente. Durante a noite, os traficantes receberam um texto (SMS) por celular, que avisava sobre operação. Os policiais federais que monitoravam os traficantes interceptaram uma ligação: "Amanhã tem opera aki do bope, q ta no mato. cecopol q pediu pra fazer opera; vai ser cedo". Temendo pela segurança dos policiais do Bope, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, abortou o plano e retirou o Bope da Rocinha.