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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

POLICIAIS CARCEREIROS COBRAVAM PROPINA DE PRESOS

Três policiais são presos no Rio por vender benefícios a detentos da Polinter. Agentes cobravam R$ 200 semanais em troca de permanência em celas especiais. O ESTADO DE SÃO PAULO, 07 de fevereiro de 2011 | 16h 48 - Solange Spigliatti - Central de Notícias

SÃO PAULO - Três policiais foram presos nesta segunda-feira, 7, durante a Operação Grades Limpas, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro na carceragem da Polinter.

Durante a operação, que tinha como objetivo desarticular uma quadrilha que agia na carceragem da Polinter, cobrando propinas em troca de benefícios para alguns presos, também foram apreendidos mais de R$ 20 mil. Os policiais foram afastados de suas funções.

Uma pequena quantidade de maconha foi apreendida na sala da administração da carceragem e no banheiro do carcereiro. Desde a manhã, foram cumpridos dez mandados de prisão temporária expedidos pela Vara Criminal de Araruama.

O inspetor da Polícia Civil Luís Carlos Freitas Calixto foi preso dentro da carceragem. Com ele, foram apreendidos cerca de R$ 1.100 e um cheque de R$ 4 mil. Os inspetores Carlos Eduardo de Barros e Flávio da Rosa foram presos em suas casas, localizadas, respectivamente, em Niterói e Magé.

Dentro da carceragem, onde foi cumprido o mandado de busca e apreensão, foram descobertas cinco celas (especiais) que acomodavam uma média de três presos cada, enquanto as outras chegavam a receber mais de 30 detentos.

As investigações apontaram que a quadrilha cobrava R$ 3 mil de entrada e uma quantia semanal de R$ 200 de cada preso em troca da permanência nas celas especiais, onde havia regalias como aparelhos de som e de DVD, ar-condicionado e até um vídeo game de última geração.

Nestas celas, foram apreendidos cerca de R$ 18 mil em espécie. Também de acordo com a investigação, os presos que denunciassem o esquema seriam punidos com severas agressões.

Mordomias. Dentro da carceragem também havia uma sala especial para visitas íntimas com cama, frigobar e ar-condicionado. Para usá-la, os envolvidos no esquema cobravam R$ 50 por um período de meia hora ou R$ 100 por uma hora. Ao lado dela, nas salas de administração, havia cerca de 20 mil preservativos encaixotados.

No pátio interno da Polinter, havia duas construções improvisadas com TV, som e fogareiro, que abrigavam um preso em cada. No local, também havia uma cantina explorada comercialmente pelos presos, onde foram encontradas centenas de salgadinhos e mais de 600 garrafas de refrigerante.

Além dos policiais presos, a quadrilha era composta por outros oito detentos que também tiveram prisão decretada. Destes, sete foram encontrados no local, inclusive o líder Fernando Braga Maria.

O Subcoordenador do GAECO, Promotor de Justiça Marcelo Maurício Arsênio, acrescentou que os valores eram cobrados até por direitos dos presos. "O esquema de corrupção lucrava com banhos de sol e até quentinhas fornecidas pelo Estado. As investigações vão prosseguir, e, se novas pessoas forem identificadas, serão denunciadas", revelou.

Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra Celson Mota da Silva, Ramon Luiz da Conceição, Fabiano Basílio Bernardo, Alecsandro dos Santos Ribeiro, Luciano Costa da Silva e Josué Amorim Pires. Um outro homem que esteve preso na carceragem, conhecido como Alvarenga, está foragido.

A decisão judicial também afastou os policiais de suas funções e vão responder a processo criminal a partir da denúncia do MP e a processo administrativo no âmbito da Corregedoria, podendo ser demitidos da corporação, segundo o MP.