ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MULHER BALEADA EM PERSEGUIÇÃO POLICIAL



ZERO HORA 8 de novembro de 2013 | N° 17608


ANDRÉ MAGS


ALVO ERRADO. 
Vendedora que levou tiro de raspão na cabeça diz que disparo partiu de PMs


Milésimos de segundo e milímetros de distância separaram uma vendedora de automóveis da morte, ao deparar com uma perseguição que PMs faziam a criminosos na zona norte de Porto Alegre, na noite de quarta-feira. Fabiana Pitombo Marçal, 31 anos, declarou que os PMs teriam se confundido enquanto seguiam o carro dos suspeitos, da mesma cor do JAC 5 em que ela estava. Agora, ela anuncia que buscará na Justiça reparação pelo drama sofrido.

Fabiana estava no veículo com dois colegas de serviço no banco de trás. A vendedora tinha saído de uma reunião de trabalho e, por volta das 21h, seguia no banco ao lado do motorista pela Avenida Assis Brasil. Foi quando um Cruze branco passou por eles, sendo perseguido por uma viatura da Brigada Militar.

De acordo com Fabiana, PMs teriam descido atirando contra o JAC 5, também branco. Ela destacou que os disparos só teriam parado quando o colega pôs as mãos pela janela para mostrar aos policiais que não estava armado e avisar: a amiga tinha sido baleada na cabeça.

A vítima foi levada em uma viatura da BM para o Hospital Cristo Redentor. Por sorte, o tiro foi superficial. Depois de receber seis pontos na cabeça, foi liberada. A mãe de Fabiana, Iara Pitombo Marçal, ficou chocada:

– Como é que vão atirando sem saber se é assaltante?

Oficial diz que atuação de PMs será investigada

A BM aguarda perícia para identificar se tiros partiram dos policiais. O subcomandante do 11º Batalhão de Polícia Militar, major Ari José Cassanta Chaves, observou que a informação de que o carro da vendedora foi o alvo dos tiros dos PMs faz parte da versão dela. Ele garantiu que houve troca de tiros com os criminosos. O JAC 5 teria ficado no meio do tiroteio.

– Vai ser apurado se os PMs agiram de forma equivocada. Essa pessoa foi ferida, infelizmente, por uma ação de criminosos durante a qual ocorreu essa fatalidade. A viatura também levou tiros. Era uma quadrilha que estava preparada para fazer um sequestro ou um assalto, no qual poderiam matar alguma pessoa – argumentou.



“Metralharam o meu carro”

ENTREVISTA: FABIANA PITOMBO MARÇAL Vendedora de veículos



Vítima de um tiro de raspão na cabeça disparado durante uma perseguição policial, Fabiana falou com Zero Hora por telefone.

Zero Hora – Como você entende o que aconteceu?

Fabiana Pitombo Marçal – É uma incompetência da polícia, né? Eles simplesmente começaram a atirar que nem uns loucos.

ZH – Vocês eram o alvo ou estavam no meio do tiroteio?

Fabiana – O alvo era o nosso carro! Na hora em que me abaixei, o tiro pegou de raspão na minha cabeça. Se não me abaixasse, pegava na minha testa.

ZH – Tinha como ver quem estava no seu carro?

Fabiana – Dava para enxergar que éramos nós, duas mulheres e um cara dentro do carro. Eles saíram metendo fogo.

ZH – O que aconteceu depois?

Fabiana – Eu disse “vocês metralharam o meu carro, criatura!” Aí, me levaram para o hospital. Perdi muito sangue.

OUTROS CASOS. Pelo menos três morreram em abordagens equivocadas desde 2005

28 DE AGOSTO DE 2013 - O bancário Evandro Kunrath, 40 anos, foi alvejado no rosto por balas de borracha da Brigada Militar em Porto Alegre e ficou cego do olho direito.

21 DE DEZEMBRO DE 2011 - O agricultor Lírio Persch, 50 anos, morreu baleado por um delegado enquanto era mantido refém, em Gravataí. O delegado foi absolvido pela Justiça.

14 DE JANEIRO DE 2006 - Francisco Daniel Talasca Ferreira, três anos, morreu em meio a um tiroteio em um camping em Terra de Areia, durante operação policial.

30 DE SETEMBRO DE 2005 - O sindicalista Jair Antônio da Costa, 31 anos, morreu durante protesto contra o desemprego em Sapiranga. Costa foi imobilizado por um PM e acabou asfixiado.