ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

ARRANJOS E DESARRANJOS NA SEGURANÇA

O SUL Porto Alegre, Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013.


WANDERLEY SOARES

Robô, que tem um jeitinho de uma tarântula, deve estar guardado em um caixa


Sucessivos governos - em todos os níveis - vêm, há algumas décadas, ora sucateando os organismos de segurança pública, ora providenciando em remendos ligeiros - e, se ligeiros, mal feitos, até por serem remendos. Em alguns repentes, descolam aeronaves bonitaças, que no mais das vezes são usadas para outras missões, que não as da segurança. Sempre vale, por exemplo, uma esticadinha até Livramento. Lembro da chegada festiva, em Porto Alegre, de um robô antibomba, que até agora não assustou os bandidos que explodem bancos. Este robô, que tem um jeitinho de uma tarântula, deve estar guardado em um caixa. Não ouvi falar mais nada sobre ele. Creio que será desenrolado durante a Copa. Não olvido das embandeiradas entregas de viaturas novas para substituírem as antigas desativadas, mas que são anunciadas como acréscimo à frota. Tais viaturas são estacionadas na frente do Piratini para as fotos e discursos, dando a impressão que Porto Alegre e Região Metropolitana passarão a ter rondas intensas nas 24 horas de cada dia. Não é bem assim. Nos dias que se seguem, os veículos são pulverizados em quase todo o Estado e somem. Digo em quase todo o RS, pois muitos municípios ficam no ora veja. Sigam-me


Restauro


Pela ausência de interesse político - e até por falta de coragem, pura e simples - o governo não se dispõe, pelo menos em nível estadual, a promover um restauro pleno das estruturas dos organismos de segurança que passaram a viver do estoicismo de seus profissionais, o que, desde o século passado, é uma daquelas coisas que beiram o terreno da galhofa. A Polícia Civil, mesmo tendo como chefe um policial de carreira, delegado Ranolfo Vieira Júnior, forjado em tarefas de campo, o que não é exatamente o que ocorre na cúpula da Brigada Militar, praticamente mantém ocultas suas carências, que vão desde o papel higiênico à inexistência de serviços de comunicação de ponta, ferramenta prioritária em todas as organizações policiais do planeta. Temos o IGP (Instituto-Geral de Perícias), órgão conceituadíssimo no Brasil e no exterior pela elevada competência do seu corpo de peritos, mas, ainda assim, não faz muito teve seu prédio um indicativo de interdição pelo Ministério Público, que viu no casarão um risco permanente de incêndio. E os bombeiros? Não, não vou abordar, hoje, a situação do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar


Luzes da Segurança


O velho e mal conservado prédio da Secretaria da Segurança, na rua Voluntários da Pátria, sofreu um apagão, segunda-feira última, que durou algumas horas


Execução


Um jovem de 19 anos foi morto no bairro Sagrada Família, em Gravataí, na noite de terça-feira última. Carlinhos Ramos foi atingido por um tiro no peito. Ele morreu no hospital Dom João Becker. A Brigada Militar suspeita de execução. O jovem não tinha antecedentes criminais