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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

MORTES DE PMS FORA DO SERVIÇO AUMENTAM NO RS

ZERO HORA 27/11/2013 | 06h05

Mortes de PMs fora de serviço aumentam 15,6% no Estado. Desde janeiro deste ano, 37 policiais morreram durante a folga


Escola onde trabalhava o bigadiano morto por assaltantes na noite de segunda-feira pendurou cartazes de luto e pedindo justiçaFoto: Lauro Alves / Agencia RBS


André Mags



A morte do PM Valdenir Gomes da Silva, na noite de segunda-feira, reforçou o contingente de PMs que tombaram fora de serviço no Rio Grande do Sul. Desde janeiro deste ano, 37 policiais morreram durante a folga — como comparação, ao longo de 2012 houve 32 mortes, conforme os dados da corporação.

Gomes enfrentou pelo menos dois homens que assaltaram uma revenda de gás no bairro Ipanema por volta das 20h30min de segunda-feira — um terceiro aguardava os companheiros em um veículo nas proximidades.

O PM baleou um deles, foi atingido por um tiro disparado por outro e o terceiro fugiu. No fim, os três foram presos pela BM, identificados como Alexander Bispo Nunes, 20 anos, Felipe Bispo Boeira, 19 anos, e Daniel Ferreira de Oliveira, 20 anos.

Chefe do soldado no quartel-general da BM na Capital, o tenente-coronel Almiro Damasio Filho lembrou que Gomes estava cansado do policiamento de rua, depois de 15 anos na corporação. Pediu para integrar o serviço administrativo e foi transferido para o almoxarifado do QG no início deste ano. A mulher dele, com quem tinha um filho de 13 anos, estava grávida de cinco meses.

— Ele era uma pessoa calma, simpática. Todos gostavam muito dele porque era um cara honesto e sincero — descreveu Damasio.

Para o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da BM (Abamf), soldado Leonel Lucas Lima, uma causa do aumento de mortes de PMs de folga se deve à audácia dos bandidos.

Antigamente, disse, os criminosos evitavam agir em locais em que sabiam haver proteção por PMs e costumavam fugir quando havia uma reação das vítimas. Outra causa é o bico. Por causa dos baixos salários, soldados acabam assumindo serviços de segurança para complementar a renda. Se morrem no bico, são consideradas vítimas durante a folga, afirmou Lucas.

O caso está sendo investigado pela delegada Aurea Regina Hoeppel, da 6ª Delegacia da Polícia Civil da Capital. Imagens do ataque foram requeridas para verificar como foi o enfrentamento entre o soldado e os assaltantes.

O trio, que foi identificado por comerciantes da região devido a outros assaltos, permanecia detido ontem no Presídio Central, informou a delegada. Gomes deverá ser sepultado na manhã de hoje em Cacequi, sua terra natal.

Comunidade se revolta com a morte de policial
O soldado Gomes tinha a simpatia dos colegas da BM, dos alunos e funcionários da escola onde residia há mais de 10 anos na zona sul de Porto Alegre e da proprietária da revenda de gás onde ele morreu ao enfrentar os assaltantes. Ontem, a Escola Estadual Paraíba, no bairro Ipanema, ficou fechada, com cartazes, balões e flores anunciando o luto pela morte do PM residente. A revenda fechou as portas à tarde, e uma placa na fachada também informava o luto.

— Nós perdemos um grande amigo da família. Estamos consternados, nos sentindo inúteis, pequeninhos. O bairro Ipanema está desamparado, é uma vergonha — desabafou Zenaide Maria Basegio, dona da revenda.

As famílias do policial e da empresária costumavam passar juntos datas como o Natal. Fazia algum tempo que ele não aparecia na revenda para comprar gás e colocar a conversa em dia. Naquela noite, além de comprar um botijão, Gomes fora dar os pêsames a Zenaide pelas mortes dos dois irmãos dela, ocorridas nos últimos 35 dias.

Ele conversava com o pessoal da empresa, quando a empresária saiu, dirigindo-se a um bar na esquina. Ao retornar, estava tudo terminado. O amigo jazia morto no chão da revenda.

Além de a escola ser a morada da família do PM, o filho dele, Guilherme, estuda na 7ª série escola e, além de bom aluno, se destaca no projeto de badminton da professora Vera Mastrascusa.

Para ela, a reação do soldado foi natural, já que sua função era proteger a vida dos outros. Vera lamentou a perda do "cara bom" que ajudava a dar uma sensação de segurança à escola, depois que voltava do trabalho no QG, à noite:

— Tínhamos uma relação muito boa. A gente viu o Guilherme nascer, acompanhamos boa parte da vida deles. Hoje (ontem), parou tudo aqui.


MORTES DE PMS - Números oficiais da BM

2012
Em serviço - 8
Folga - 32

2013
Em serviço - 3
Folga - 37