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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

AÇÃO VIOLENTA

ZERO HORA 27 de novembro de 2013 | N° 17627


EDUARDO TORRES


Investigada abordagem de brigadiano


Uma abordagem comandada por um soldado de 25 anos – à paisana e em horário de folga – na noite de domingo, em uma casa do bairro São Sebastião, em Esteio, está sob suspeita. O alvo da ação seria o mecânico Claudiomiro da Silva, 35 anos, que foi baleado em uma das pernas e teve ferimentos no rosto e na cabeça, e sua mulher, Cândida Cristina Mello, 33 anos, ainda internada em coma no Hospital Presidente Vargas, em Sapucaia do Sul, também baleada e com traumatismo craniano.

A Delegacia da Polícia Civil de Esteio abriu inquérito para apurar se houve agressões e excessos por parte dos policiais. Há suspeita de tortura. Claudiomiro, o filho dele, de 15 anos, e a filha, de 17 anos, foram ouvidos ontem na delegacia e afirmaram que o casal foi vítima de agressões. Segundo eles, a violência teria sido resultado de uma discussão de trânsito na Avenida Padre Claret. Hoje, o delegado Leonel Baldasso pretende ouvir os três PMs envolvidos. Ele solicitou um laudo do DML para apurar a origem dos ferimentos de Cândida.

– Há uma alegação de que o policial agiu em legítima defesa depois de uma suposta tentativa de assalto. Mas, até o momento, com os indícios que temos, não há elementos que comprovem essa tese – afirma o delegado.

Soldado segue trabalhando no serviço de inteligência

Na casa da família, foi apreendida uma garrucha calibre 32. De acordo com Leonel, seria uma arma antiga, sem condições de uso. Também foram apreendidos um coldre, um facão e um bastão. Segundo os brigadianos, os objetos estavam no carro do casal.

Claudiomiro foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma. Levado ao Presídio Central, o mecânico acabou liberado pelo juiz, que não confirmou o flagrante. O magistrado ainda considerou ilegal a entrada dos PMs na casa da família sem um mandado judicial.

O 34º BPM também abriu inquérito policial militar para apurar o caso. Até o momento, no entanto, o major Luiz Eduardo Ribeiro Lopes, que comanda a unidade, afirma estar tratando da reação do PM a uma tentativa de assalto.

– Foi essa a versão que chegou ao conhecimento da Brigada Militar e que motivou o reforço de policiais naquela noite. Não tenho, até o momento, nenhuma informação que macule a conduta deste policial – aponta o oficial.

O soldado, atuando há cinco anos em Esteio, faz parte do serviço de inteligência, e segue trabalhando.



zero hora 28/11/2013 | 21h00

Após denúncia de excesso, PM alega que reagiu a assalto em Esteio. Polícia apura se abordagem foi uma arbitrariedade após briga de trânsito




O Departamento de Criminalística coletou dados na casa e no carro do casal em EsteioFoto: Divulgação / Polícia Civil


Em depoimento à DP de Esteio na última quarta, o policial militar de 25 anos, envolvido em uma abordagem com suspeita de excesso e e tortura no último final de semana, confirmou que agiu em reação a uma tentativa de assalto em seu horário de folga.

Para o delegado Leonel Baldasso, no entanto, o depoimento do PM e de outros dois colegas envolvidos na abordagem a um casal na área central da cidade reforçou contradições. Novos exames periciais foram solicitados.

- O Departamento de Criminalística coletou dados na casa e no carro do casal. A alegação do policial militar para justificar os ferimentos do casal é de que eles saltaram do veículo em movimento. Mas não há nenhuma marca visível de colisão, indicando que o carro tenha seguido em movimento - diz o delegado.

Cândida Cristina Mello, 33 anos, atingida por tiros nas pernas e com traumatismo craniano, segue internada no Hospital Presidente Vargas, em Sapucaia do Sul. O marido dela, o mecânico Claudiomiro da Silva, 35 anos, também teve ferimentos na abordagem iniciada pelo policial, na noite de domingo, enquanto estava de folga.

No depoimento, o PM teria acrescentado outras informações para justificar os ferimentos do casal. Além da queda do veículo, ele alega que, para controlar Claudiomiro, teria lhe desferido duas cabeçadas depois de ter atirado nas pernas dele. O mecânico alega que levou coronhadas.

Sobre Cândida, o soldado teria afirmado que ela caiu ao ser perseguida até os fundos da residência, onde também foi baleada.

A polícia apura se a abordagem foi uma arbitrariedade depois de uma briga de trânsito ou a reação do PM quando o casal teria tentado roubar o seu carro em uma sinaleira da Avenida Padre Claret.


DIÁRIO GAÚCHO