ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

domingo, 17 de novembro de 2013

ALUNO DE CURSO É INTERNADO APÓS TROTE SOB O SOL

REVISTA VEJA 14/11/2013 - 15:23

No dia mais quente do ano, com sensação térmica de 48 graus, jovens foram obrigados a fazer exercícios e impedidos de beber água no centro de formação da corporação

Leslie Leitão, do Rio de Janeiro



Formatura de PMs no Rio de Janeiro (Carlos Magnos/Divulgação/Governo do Estado do Rio de Janeiro)

No dia em que a sensação térmica no Rio de Janeiro chegou a 48 graus, na última terça-feira, um aluno do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar (CFAP) sofreu queimaduras, desidratação e insolação. O rapaz, que participava de um treinamento naquela unidade, no bairro de Sulacap, na Zona Oeste, foi internado no Hospital Central da PM e permanece em estado grave. Para outros alunos do curso e alguns policiais, que trocam informações em um fórum de discussão na internet, o jovem foi vítima de um trote de mau gosto e submetido aos exageros dos rigores da caserna. A corporação, em nota, informou que os oficiais responsáveis pela turma foram substituídos e que um inquérito foi instaurado para apurar o episódio.

Os relatos de quem participava do treinamento tratam o caso como uma ação deliberada de oficiais que conduziam o treinamento. Sob o forte calor daquela tarde, com sol a pino, os alunos da 5ª Companhia Alfa teriam sido submetidos a horas de formação, com intervalos para beber água de apenas cinco minutos, mesmo tempo concedido para o almoço. Com 505 integrantes, e apenas seis bebedouros, era impossível fazer com que todos se hidratassem.

Um grupo de dez alunos se sentiu mal depois do horário do almoço, vários deles sem conseguir permanecer de pé. Desde o início do programa de UPPs, quase todos os cursos do CFAP visam a formar policiais para as unidades de Polícia Pacificadora, principal programa da política de segurança do governo do estado. Os alunos que se sentiram mal foram submetidos a um período a mais de exposição ao sol, alguns obrigados a fazer exercícios físicos.