ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

POLICIAIS BLOQUEIAM ESTRADAS PARA PROTESTAR

CORREIO DO POVO 09 de agosto de 2012

Corporação pode iniciar primeira greve da história na próxima segunda-feira. Protesto gerou congestionamento de aproximadamente sete quilômetros

A última manifestação dos Policiais Rodoviários Federais (PRF) antes da assembleia geral da categoria, que pode decidir pela greve, causou congestionamentos e lentidões em pelo menos três rodovias do Estado. O sindicato da PRF cobra mais investimentos e efetivo para a corporação.

Em Porto Alegre, cerca de 100 policiais estiveram reunidos no vão móvel da ponte do Guaíba a partir das 14h. O protesto gerou congestionamento de aproximadamente sete quilômetros e terminou às 15h30min, com o trânsito normalizando em seguida, de acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). O fluxo na avenida Castelo Branco sofreu reflexos da paralisação.

Problemas maiores foram registrados no Sul do Estado. Os policiais fizeram operação-padrão na BR 392, que liga Rio Grande a Pelotas. Todos os veículos que trwafegavam na rodovia eram fiscalizados e o congestionamento de cerca de 15 quilômetros. A operação terminaria somente às 17h.

Por outro lado, em Montenegro, a PRF encerrou a manifestação às 16h e, em menos de 15 minutos, o congestionamento de quatro quilômetros já não ocorria mais e o trânsito havia se normalizado. No Noroeste gaúcho, em São Borja, o protesto sequer ocorreu, em virtude do baixo efetivo no local.

Além do Estado, agentes de Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Paraná realizaram paralisações. Na rodovia Presidente Dutra, em São Paulo, o congestionamento chegou a dez quilômetros pela manhã.

Primeira greve na história da PRF pode começar semana que vem

Na próxima segunda-feira, policiais rodoviários de todo o País farão uma assembleia geral simultaneamente às 15h. Na ocasião, poderá ser definido o início da primeira greve na história da corporação.

De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Pedro da Silva Cavalcanti, a categoria está há um ano negociando com o governo, mas nada foi decidido. Segundo lembra, a última reunião marcada para o dia 26 de julho foi cancelada sem novo agendamento.

“Desde 2006 estamos recebendo por subsídio, mas quando nosso salário foi mudado perdemos alguns benefícios como adicional noturno e de insalubridade. O policial que ingressa hoje está ganhando menos do que em 2006”, disse Cavalcanti. O último reajuste salarial para a categoria é de 2010. Outro ponto em negociação com o governo é a reestruturação da carreira do policial rodoviário federal.


ZERO HORA 09 de agosto de 2012 | N° 17156

LENTIDÃO À VISTA
Policiais fecham estradas federais e ameaçam parar. Protesto em rodovias de oito Estados antecede assembleia que discutirá greve nacional na PRF

Insatisfeitos com as condições de trabalho, integrantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) deram ontem uma amostra do impacto com uma eventual greve, que poderá ser deflagrada na segunda-feira. Em um protesto que se repetiu em pelo menos outros sete Estados, policiais interromperam o fluxo com bloqueios e blitze em quatro rodovias no Rio Grande do Sul, atrapalhando ainda mais o trânsito já complicado. Os manifestantes ameaçam fazer hoje novas ações no país.

No Estado, as situações mais críticas ocorreram na Capital, no vão móvel do Guaíba (BR-290), e em Pelotas (BR-392). Em cada um dos pontos, a ação dos manifestantes parou o trânsito por 14 quilômetros em uma hora e meia. Passageiros ficaram tão apreensivos na Capital que desceram do ônibus e se deslocaram a pé até o destino. Os condutores sofreram ainda com bloqueios em Montenegro, na BR-386, e Uruguaiana, na BR-290.

A manifestação antecede uma assembleia geral, que ocorrerá nos Estados na tarde de segunda-feira. Os servidores discutirão uma paralisação – a primeira na história dos 84 anos da corporação, conforme o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais (Sinprf-RS).

A entidade pede a ampliação no percentual dos investimentos. Segundo o órgão, apenas 4% do orçamento federal para a segurança pública seriam destinados à PRF.

Além disso, os sindicalistas cobram concursos públicos para preencher 4 mil vagas. Segundo o Sinprf-RS, o Estado precisaria de 1.250 agentes, mas teria apenas 690. A entidade ainda quer o fim dos desvios de função.

O impacto pelo país - Como foi o movimento em outros Estados:

- Paraná – Operação-padrão chegou a causar 21 quilômetros de congestionamento em apenas um dos sentidos BR-116. O engarrafamento também atingiu outros três pontos no Estado.

- São Paulo – Na Rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, servidores pararam os caminhões de carga para vistoria, formando congestionamento de 10 quilômetros em um dos sentidos.

- Rio de Janeiro – Na ponte Rio-Niterói, os policiais precisaram antecipar o fim da manifestação em uma hora, depois de um idoso precisar de atendimento em meio ao engarrafamento. A manifestação e um incêndio em ônibus no fim da tarde (sem relação com o protesto) tiveram reflexos no fluxo até a noite: os motoristas levaram uma hora e meia para percorrer o trajeto, em vez dos habituais 13 minutos.