ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

domingo, 19 de agosto de 2012

A IMPORTÂNCIA DO OLHAR ATENTO

CORREIO DO POVO, 19/08/2012

Oscar Bessi Filho

Os exemplos arrastam. Já a desatenção permite o desvio. A educação de berço, de família, tem diversos princípios básicos universais que já sabemos. Um filho repete o comportamento dos seus. E, se seu erro não for corrigido, virará costume. Como é da natureza humana exigir o rigor das regras apenas para os outros. Punição? Multa? Fim da impunidade? Não para mim! Confúcio dizia que "por natureza, os homens são próximos, a educação é que os afasta". Pois bem. Desvios de conduta são típicos de qualquer grupo humano. E, onde houver alguma relação de poder, aí a coisa fica ainda mais tentadora. Escorregões são previsíveis. Como são necessários os mecanismos para evitá-los ou, pelo menos, reparar estragos feitos.

Temos visto policiais heroicos todos os dias salvando vidas, protegendo, se arriscando, tirando traficantes das ruas, fazendo muito por nós e por nossos filhos. Mas temos visto também, infelizmente, maus policiais. Eu insisto: precisamos olhar o policial com respeito, mas não respeito de medo, e sim aquele que vem do referencial de conduta e valores, da admiração. Vale para gestores públicos, também. Valorizar, equipar, instruir seus policiais e, ao mesmo tempo, estar atento aos seus erros.

Nesse sábado, 18 de agosto, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar completou 15 anos de criação. É o canal de comunicação entre a Brigada Militar e a sociedade gaúcha para o encaminhamento de queixas, denúncias e também elogios envolvendo PMs. Pensamento meu: se alguém veste esta farda pensando em se dar bem, pedir propina, se mancomunar com bandido, se esconder do perigo ou ganhar vantagem pessoal, francamente, não honra seu coturno. Muito menos o imposto do cidadão. E, a cada ano, a Brigada Militar abre diversos inquéritos e procedimentos disciplinares para apurar suas próprias falhas. Tá. Nós, que estamos cá na linha de frente, achamos isso incômodo em certas horas. Porque tem bandido que já vem com discurso pronto, acusando policial de enxerto, de agressão e tudo mais. Outros se acham acima da lei, um desaforo o policial aplica-la. Agora, apurar os fatos, de forma imparcial, é básico para uma instituição séria, já que muito sérias também são as necessidades do povo.

Uma sociedade em busca de Polícia forte. E Polícia forte é Polícia íntegra e confiável, antes de tudo. Liberdade, sim. Mas com olhar atento. Como o pai que não se desliga do filho, valoriza seus acertos, mas corrige quando necessário. O correto é a única cultura admissível. E respeito é assim: nem farda, posto, diploma, título ou sobrenome garante ou concede. Muito menos se compra na esquina. Respeito de verdade é dado pela retidão do caráter. Pelo comportamento.