ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SEGURANÇA SEM MORTES


TECNOLOGIA - Novos modelos de armas não letais ajudam a combater a violência com inteligência e cada vez menos riscos. Rafael Teixeira - REVISTA ISTO É, 29/04/2011

DE BOLSO - As novas armas com balas de borracha são cada vez mais compactas


Bolas que parecem bexigas com areia que se expandem ao atingir algo ou alguém, poderosas fontes de luz e sprays que lançam substâncias aderentes e fedorentas. Parece que estamos falando de brinquedos, mas a referência são arma­men­tos não letais. “Em 90% dos casos, o po­­licial ou o segurança não precisam usar ar­ma de fogo. Mas, se é só isso que eles têm, é isso que vão usar”, diz Ricardo Balestreri, ex-secretário nacional de Segurança Pública e membro do Comitê Nacional de Educação para os Direitos Humanos.

Recomendado oficialmente pela ONU, o uso desse tipo de artifício ganha terreno graças à ajuda fundamental de novas tecnologias. Nos países desenvolvidos, oficiais dos principais depar­tamentos de polícia normalmente carregam duas armas: uma de fogo e outra de choques elétricos – o chamado taser –, que dispara dardos capazes de deixar um indivíduo desacordado. Por aqui, a utilização de ar­mamentos que não matam ainda não é os­tensiva, mas há avanços – tanto que as prin­cipais novidades da área foram apresentadas em feira no Rio de Janeiro recentemente.


CLARIDADE - A granada acima cega e ensurdece temporariamente


IMPACTO - Encomendada pela ONU, a munição se expande no ar para derrubar seus alvos


Segundo Balestreri, o spray de pimenta já é adotado por polícias e guardas municipais de todas as capitais do País. Agora, um equi­pa­mento parecido, que lança uma espécie de gosma, chega ao mercado. Feito com óleos e resinas vegetais, o produto não tem ação tó­xica, mas uma viscosidade tal que gruda na pele e em roupas (leia quadro). Entre as outras tecnologias desenvolvidas com o objetivo da desorientação momentânea destaca-se o chamado “dispositivo acústico de longo alcan­ce”, que emite uma onda sonora de 150 decibéis – para um ser humano, o máximo suportável é de 130 db – e o Active Denial System, que dispara uma radiação eletro­magnética na faixa de micro-ondas, gerando sensação de calor extremo, mas sem queimar.

Já as novas armas com munição de borracha podem até derrubar um agressor, dependendo da distância do alvo e da potência do armamento. Uma das novidades no segmento é uma pistola semiautomática capaz de comportar até 12 projéteis e indicada para uso à distância de até 15 metros. Sua vantagem sobre armamentos similares é a portabilidade, já que antes só era possível disparar balas de borracha com lançadores do tamanho de escopetas. Também fabricada no Brasil, uma munição que mais parece uma bexiga recheada com um material granulado tem a capacidade de se expandir no impacto como uma massa de pizza, alcançando 7 cm de diâmetro. A munição foi desenvolvida a pedido da ONU, que a empregou na missão de paz no Timor Leste. Nada mais apropriado para uma arma que zela pela vida.

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