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terça-feira, 12 de junho de 2012

SOBRE A DESTRUIÇÃO DO QG DA PMERJ






EMIR LARANJEIRA - 24/05/2012
http://emirlarangeira.blogspot.com.br/



Li, certa vez, numa revista de ciência, que uma corrente da física quântica crê piamente ser a pedra um ente pensante. Supondo que seja verdade, e se ela, a pedra, realmente pensa, então ela sabe o que ocorre à sua volta. Mais ainda, ela sabe existir, sabe que finalidade cumpre no Universo, quiçá até mais que nós, os humanos. O fundamento da afirmação é o de que tudo é átomo. Por conseguinte, tanto faz que estejamos diante de moléculas orgânicas ou inorgânicas, já que a natureza é formada por moléculas, e estas, por átomos. Então, tudo que existe no Universo pensa: minerais, vegetais e animais, caindo por terra a certeza de que o ser humano é o único racional existente no mundo. Mas, na dúvida (não é fácil admitir que uma pedra pense), vamos insistir no argumento a partir da ficção. Deste modo, tanto faz que eu creia ser ou não ser a pedra um ente racional. Então minha premissa é a de que a pedra raciocina e guarda na memória o que percebe. E, neste ponto, generalizando a loucura, devo afirmar que tijolo pensa, tal como deve pensar o osso que sobra do ser humano após a morte. E se, por acaso, o corpo for cremado, as cinzas, que são feitas de átomo, e já que o átomo não morre, é energia cambiante, as cinzas igualmente pensam. E, por esta via, não é demais assegurar que o tijolo sabe que está posto numa parede, e que ali permanecerá pela eternidade se não for alterado o seu estado de aparente inércia por evento natural ou insanidade humana.

Chegamos ao ponto, e aos tijolos do QG da PMERJ, e lá estão eles assentados, rebocados, pintados, sendo certo que o reboco e a tinta pensam; e, se pensam, sabem de tudo, pois ouvem e reagem no âmbito do seu mundo invisível: o mundo quântico. E agora os tijolos, a massa, e demais materiais, incluindo tudo que é matéria aparentemente imóvel, e mais a matéria móvel representada pelos corpos vivos, todos estão cientes de que o QG da PMERJ será demolido, não se sabendo ainda para onde vão os corpos vivos que lá habitam e labutam, nem qual será o destino de todo o resto. Sabem os homens e as pedras, todavia, que serão simultaneamente removidos por humanos que paradoxalmente pensam, e que supostamente se emocionam, valendo aqui imaginar que a pedra é capaz de se emocionar tanto quanto o ser humano. E, por saberem do fim próximo, homens e pedras se entristecem, pois as paredes do QG da PMERJ viram passar por ali gerações e mais gerações de capuchinhos e militares, sendo aquele local sagrado desde a origem. Sim, pois as orações naquele lugar ultrapassaram a casa dos milhões e ainda são muitas nos dias de hoje. Mas nada disso interessa aos pensantes, estes que se acham deuses e portanto capazes de destruir uma parede como se fora nada. Ou melhor, os deuses terrenos creem que basta uma lei formulada e algumas efêmeras moedas para justificar a destruição de muita história impregnada em paredes centenárias, e em janelas e portas, e em rebocos, e em pisos, e em tintas que efetivamente sabem que serão reduzidos a pó. E o pó receberá destinação incerta, e a história se espalhará num Universo que surgiu do nada a partir de um grão mínimo e denso. Enfim, um grão com tanta energia concentrada que explodiu e se fez matéria que se amplia rumo ao infinito desconhecido... E se sabemos que foi assim é porque a inferência do todo cósmico nos conduziu à partícula microcósmica: a partícula subatômica. Daí o prédio ser uma espécie de galáxia a nos orientar; e quando ela for sugada pelo “buraco negro” do poder político levará junto a sua história. E tal como as estrelas já sugadas não se sabe pra onde, o prédio também será sugado, e com ele desaparecerá a sua história. Daí se entender o tombamento de muitas obras físicas, algumas inclusive consideradas Patrimônio da Humanidade.

Ora bem, o prédio do QG da PMERJ não chega a tanto. Mas existe e deve continuar a existir fisicamente, e não apenas virtualmente, pois não sabemos quem existirá no futuro nem que valor terá aquela edificação resultante de muitos suores e orações. Por tudo isso, é razoável supor que as pedras do QG da PMERJ choram, assim como muitos que conviveram dentro dele, e forjaram momentos solenes e históricos em sua vida corporativa, igualmente choram. Mas também é certo que muitos humanos riem desse saudosismo, sem, no entanto, perceberem que não é por outro motivo que obras físicas são preservadas, eis que forjadas por entes pensantes do passado para deixar um legado ao futuro, assim como fizeram os Maias ou os Faraós, e não o fizeram senão para preservar a História, e não para destruí-la por meio da derrubada insana de sua remota materialização. Enfim, no caso do QG da PMERJ, não mais ali iremos, nós, os policiais militares, marchar, nem mais os cristãos estarão ali a orar. Pior é que muitas vezes marchamos a homenagear os que agora intentam destruir a História da PMERJ representada por seu principal aquartelamento, tal como as pirâmides representam a milenar História da Humanidade, esta que somente existe devido à iniciativa do homem em organizar a pedra de tal modo que, através dela, pudéssemos vislumbrar a inteligência remota. E é esta inteligência a mesma que se volta ao passado e ao início de tudo, ao big-bang, ou seja, ela parte do que é visto: as galáxias, as estrelas, os planetas, os satélites, os asteroides e o mundo quântico. E passa pelo pó cósmico ao qual o QG da PMERJ será acrescentado como mero pó de estrela. Pois, afinal, tudo é átomo, é energia, só que invisível; e, se não é visível, não existe... Ah, que bobagem! No final de todas as contas, o que os olhos não veem os corações não sentem, e muito menos sentirá alguma coisa o virtual “coração” que bate no peito da “corporação”; e, pelo visto, nem mais adianta apelar para a “oração”, restando-nos como possibilidade a “ação”, que na “corporação” também se materializa por sua mais importante edificação, a nossa “pirâmide”, o “universo” do nosso “corpo”, que é o QG da PMERJ.