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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

REGISTROS DE LESÃO CORPORAL ENVOVENDO PMS DURANTE PROTESTO


Delegacia do Catete faz quatro registros de lesão corporal envolvendo PMs durante protesto. Inquérito será instaurado para apurar se houve abuso ou excessos da PM em confronto com manifestantes em frente à delegacia. Vinte e nove pessoas foram detidas e liberadas em seguida.


TAÍS MENDES 
O GLOBO
Atualizado:15/08/13 - 13h42


Após protesto, agência bancária amanhece com vidros quebrados e vasos de plantas destruídos na Rua do Catete Gabriel de Paiva / Agência O Globo


RIO - Além de instaurar um inquérito para apurar possíveis excessos cometidos por policiais do Batalhão de Choque, na noite desta quarta-feira, na Rua do Catete, na Zona Sul do Rio, durante protesto na porta da 9ª DP (Catete), a Polícia Civil fez quatro registros de lesão corporal envolvendo PMs. As vítimas ainda não conseguiram identificar os policias. De acordo com a Polícia Civil, 29 pessoas foram detidas e liberadas em seguida, sendo que uma pessoa chegou a ser presa por danos. O preso foi indiciado na 9ª DP (Catete), e o caso será encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). Pelo menos quatro bancos tiveram as portas de vidro quebradas por vândalos durante a manifestação. Uma das portas da delegacia também foi destruída. Funcionários da unidade policial passaram a manhã recolhendo os vidros do chão. Na Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, parte das grades do canteiro central também foi danificada.

Na noite desta quarta-feira, o diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital, delegado Ricardo Dominguez, esteve na 9ª DP (Catete) para avaliar os estragos causados no local. Após encontrarem um bloqueio mais intenso de policiais militares na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, os cerca de 300 manifestantes que protestavam no início da noite contra o governador Sérgio Cabral seguiram em passeata até a porta da unidade policial, para onde tinham sido levados os detidos pela polícia durante o protesto. Lá, por duas vezes, perto das 22h e das 22h50m, houve confrontos entre manifestantes e PMs.

Dominguez informou que um inquérito está sendo instaurado para apurar se houve abuso de autoridade, ou excessos praticados pela PM. De acordo com testemunhas, policiais dispararam tiros de bala de borracha, que atingiram a porta de vidro da unidade. Bombas de gás também foram lançadas contra manifestantes e advogados da OAB que estavam na porta da delegacia. Vários policias dentro da unidade passaram mal com o forte cheiro de gás. Outras quatro acusações contra a PM, que ainda não foram divulgadas, também serão investigadas. Dominguez disse ainda que o comandante da operação será chamado para prestar depoimento. Advogados da OAB também irão depor. O delegado chegou a chamar a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) para substituir a PM no monitoramento da manifestação.

O primeiro confronto em frente à 9ª DP aconteceu quando PMs do Batalhão de Choque (BPChoque) chegaram à delegacia com mais um homem preso. Os manifestantes queriam saber o motivo da prisão e cercaram os policiais. Para dispersar a multidão, a polícia lançou bombas de gás lacrimogênio e disparou tiros de balas de borracha. Intoxicado por gás, um socorrista que atendia um homem atingido por uma bala de borracha na coxa direita passou mal e caiu no chão. O socorrista se recuperou, mas o homem atingido pela bala de borracha foi levado por uma van do Corpo de Bombeiros.

Por volta das 22h50m, no novo confronto, manifestantes se abrigaram dentro da 9ª DP para fugir de ataques de gás lacrimogêneo e de disparos de balas de borracha. Mesmo com pedidos dos manifestantes para que parassem, a polícia continuou atirando e foi atrás de um grupo que saiu correndo pela Rua do Catete, em fuga da 9ª DP. Policiais da companhia de cães foram para o local.

Para evitar represálias dos policiais, todos os manifestantes seguiram em grupo para a estação de metrô no Largo do Machado, onde se dispersaram. Antes, as ruas Pinheiro Machado e Coelho Neto, assim como o viaduto Engenheiro Noronha, chegaram a ser fechadas por volta das 19h. Durante o protesto, usuários de crack e moradores de rua aproveitaram para saquear o supermercado Extra, em frente à estação de metrô do Largo do Machado, por volta de 21h. O grupo de cerca de dez pessoas teria aproveitado que o policiamento estava concentrado no entorno do Palácio Guanabara, por conta dos protestos, e invadiu o local. Armados com facas de cozinha, eles levaram colchões, edredons e alimentos. A invasão causou pânico entre clientes e funcionários. Os invasores não foram incomodados pelos seguranças do supermercado, que ignoraram o ocorrido, segundo clientes. Os invasores entravam em grupos e, depois de vinte minutos saqueando o supermercado, a PM chegou ao local e conseguiu resgatar alguns dos itens roubados.

A confusão em frente ao palácio aconteceu por volta das 20h. Depois de intensas provocações, como gritos de "cachorrinhos do Cabral", teve início um confronto entre manifestantes, que arremessaram pedras, e policiais, que lançaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e dispararam tiros de balas de borracha. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. A polícia usou jatos d'água para dispersar os manifestantes.