ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

GPS DAS VIATURAS DESLIGADOS


Caso Amarildo: carros da UPP estavam com GPS desligado. Delegacia vai investigar dois celulares apreendidos na Rocinha em busca de informações sobre o pedreiro


ELENILCE BOTTARI
VERA ARAÚJO
O GLOBO
Atualizado:2/08/13 - 10h02

Familiares do Pedreiro Amarildo de Souza se reuniram com promotores de Justiça e o delegado Rivaldo Barbosa, no Ministério Público do Rio - Urbano Erbiste / Agência O Globo


RIO - Na noite de 14 de julho, quando o auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza desapareceu depois de ser levado por policiais para a sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, as viaturas da unidade estavam com o GPS desligado, o que impossibilita que a Polícia Civil possa verificar, agora, se algum dos veículos fez um caminho suspeito ou deixou a comunidade. A Polícia já havia informado que, naquela noite, não estavam funcionando duas das câmaras de monitoramento da UPP que poderiam confirmar a versão do comandante da unidade, major PM Édson dos Santos, de que Amarildo deixou o local a pé, descendo as escadas de acesso à Rua Dioneia.

— Isso sem dúvida nenhuma pode trazer algum prejuízo, mas tenho certeza de que esses fatos estão entrando na investigação para se saber a motivação disso, se foi falha técnica — afirmou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que nesta quarta-feira esteve na Divisão de Homicídios (DH), que assumiu o caso, para reafirmar o interesse do estado em que este seja apurado com o máximo rigor e urgência.

Cabral: ‘Quero notícias diárias’

Embora o caso esteja agora na DH, a 15ª DP (Gávea) continuará investigando dois celulares que foram apreendidos na Rocinha no dia 13, durante a operação Paz Armada. Um dos aparelhos caiu do bolso de um traficante, e o outro que estaria com um casal que fugiu. Os dois celulares foram monitorados e, segundo investigações, pessoas que teriam ligado para aqueles números podem ter relação com o desaparecimento. Caso isso seja confirmado, essa parte da investigação também será levada para a DH.

O governador Sérgio Cabral, em entrevista ao GLOBO, também expressou sua preocupação com o caso:

— Vamos investir em investigação para encontrar o Amarildo e os responsáveis (pelo desaparecimento). Declarei isso a semana inteira. Eu também quero saber onde está o Amarildo! O Beltrame quer saber onde está o Amarildo!

O governo teme que o caso de Amarildo possa manchar a principal política de segurança do estado, as UPPs:

— Quero notícias diárias a respeito desse caso, porque não podemos permitir que um fato dessa natureza venha a macular projetos que, sem dúvida alguma, estão mudando a vida dessas pessoas e a própria sociedade — afirmou Beltrame.

Na quarta, mesmo antes de receber o relatório do delegado Orlando Zaccone, da 15ª DP, sobre o caso, o delegado Rivaldo Barbosa, que irá presidir o inquérito na Divisão de Homicídios, esteve na sede da UPP na comunidade para “entender a dinâmica dos fatos” e determinou buscas no aterro sanitário de Seropédica. Uma das hipóteses investigadas é que Amarildo tenha sido morto e levado para uma usina de lixo no Caju. De lá, seu corpo teria sido levado para Seropédica. A informação de que o corpo de Amarildo teria sido retirado da favela num caminhão de lixo foi passada por um policial da própria UPP. A DH deve realizar uma perícia, inclusive com luminol, também na sede da UPP.

— A Divisão de Homicídios não descarta nenhuma hipótese. Trabalhos com protocolos preestabelecidos, com uma dinâmica própria. Estamos alinhados com o Ministério Público para, da maneira mais rápida, dar respostas satisfatórias à família, à comunidade e à sociedade — afirmou Barbosa.

Ele se reuniu ontem com familiares de Amarildo no gabinete do procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, para falar sobre as investigações:

— Foi uma reunião extremamente positiva, na qual nós estreitamos os laços com a família. Já começamos a investigação muito bem — afirmou o delegado, que no fim da tarde tomou o depoimento de Anderson e Emerson de Souza, filhos do desaparecido.

Novos interrogatórios

Barbosa vai ouvir nesta quinta-feira outros parentes, um líder comunitário e PMs da UPP da Rocinha com o objetivo de elucidar o desaparecimento de Amarildo:

— Estamos interrogando todo mundo novamente. Isso faz parte de um protocolo da DH toda vez que assumimos um caso. Amanhã (hoje) passarei o dia na comunidade. Nesta fase das investigações, é muito importante nos aproximarmos da família da vítima.

Os filhos de Amarildo saíram sem falar com a imprensa.

Marfan Vieira também afirmou o interesse do Ministério Público (MP) no caso:

— A polícia e o MP vão trabalhar juntas para esclarecer o que aconteceu, mas é possível que tenha havido uma grave violação de direitos humanos.

Também participaram na reunião o subprocurador de Direitos Humanos, Ertulei Laureano Matos; o coordenador de Direitos Humanos do MPRJ, Márcio Mothé; a promotora Marisa Paiva; os filhos de Amarildo — Anderson Silva e Emerson Gomes —; a sobrinha do pedreiro, Michele Lacerda; além do delegado Edson Henrique Damasceno, da DH.