ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

OS CASOS QUE ABALARAM OS PILARES DO COMANDO DA PM


Os casos que abalaram os pilares do comando da PM. A atuação durante os protestos e o desaparecimento de Amarildo na Rocinha puseram a polícia em xeque

VERA ARAÚJO
O GLOBO
Atualizado:6/08/13 - 0h00

Um PM joga spray de pimenta num jovem durante uma manifestação em frente ao Palácio Guanabara. Ações teriam desestabilizado Costa Filho Pedro Kirilos/11-7-2013


RIO - A decisão do coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, comandante geral da PM, de anistiar policiais militares que respondiam por punições disciplinares foi apenas o ápice de uma crise envolvendo ele e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Os dois, segundo pessoas próximas, não estavam se entendendo há pelo menos dois meses. O problema foi agravado pela reação negativa da população à atuação da PM durante os protestos nas ruas. Ao comentar as manifestações, Costa Filho acusou advogados da OAB de proteger “bandidos”, e teve um bate-boca com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), pelo Twitter, ao defender os policiais militares.

Truculência nos protestos

A atuação muitas vezes truculenta de PMs acabou minando a imagem do ex-comandante. A cena de uma manifestante indefesa, aparentemente sem oferecer qualquer perigo, atingida por um jato de spray de pimenta, lançado por um policial do Batalhão do Choque, rodou o mundo. A foto chegou a ser manchete de uma edição do jornal "The New York Times", dos EUA, com destaque.

No início de julho, a reação de policiais militares aos protestos em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, deixou novo saldo negativo. Cerca de 30 manifestantes e quase o mesmo número de PMs entraram na Casa de Saúde Pinheiro Machado, durante um confronto. O gás lacrimogêneo lançado pelos policiais tomou a unidade. A fumaça também invadiu apartamentos das imediações. Manifestantes foram perseguidos até a Praça São Salvador. Bares foram invadidos. No dia seguinte, o forte cheiro de gás lacrimogêneo continuou causando ardência nos olhos e na garganta de moradores e comerciantes da região. E balas de borracha podiam ser encontradas em diversos pontos do bairro.

Também abalou o comando da PM o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que sumiu depois de deixar a sede da UPP na Favela da Rocinha, para onde fora levado. Pelo menos três manifestações já foram feitas por moradores da Rocinha, exigindo a elucidação do caso. Os protestos fecharam a Autoestrada Lagoa-Barra, dando um nó no trânsito. Parentes do ajudante de pedreiro não têm dúvidas de que Amarildo está morto.

O que o coronel Erir enfrentou

Abril de 2012: O policial do Batalhão de Choque Rodrigo Alves, de 33 anos, é morto a tiros durante um patrulhamento a pé na Favela da Rocinha. Ele chega a ser levado para o hospital, mas não resiste.

Setembro de 2012: Outro policial militar, Diego Bruno Barbosa Henriques, de 24 anos, é morto a tiros durante um patrulhamento na Rocinha. O soldado e mais três policiais entraram a pé em uma localidade conhecida como Terreirão, onde foram surpreendidos por dois homens armados.

Dezembro de 2012: A prisão de mais de 50 policiais militares do 15º BPM (Duque de Caxias) resulta na exoneração do comandante do batalhão, o tenente-coronel Claudio de Lucas Lima. Os policiais foram acusados de receber propina de bandidos para não coibir o tráfico em 13 favelas de Caxias. “Não aceitaremos mais ser humilhados”, disse Erir na ocasião.

Maio de 2013: Intenso tiroteio na Vila Cruzeiro, uma das favelas do Complexo da Penha, assusta participantes da maratona Desafio da Paz. Alguns corredores desistiram de participar da prova. Mas a largada foi dada, e a prova teve a presença do secretário José Mariano Beltrame.

Junho de 2013: O engenheiro Gil Augusto Barbosa, de 53 anos, é baleado na cabeça ao errar o caminho e entrar na comunidade Vila do João, na Zona Norte. Barbosa morreu um mês depois. Seus familiares se revoltaram, alegando que a área, próxima ao Complexo da Maré, na Linha Amarela, é mal sinalizada. Isso acabou motivando a prefeitura a recolocar a sinalização após o incidente.

Junho de 2013: Uma ação do Bope na Favela Nova Holanda, na Maré, deixa dez pessoas mortas e gera protestos indignados de moradores. Entre as vítimas, Eraldo Santos da Silva, de 35 anos, e Jonatha Farias da Silva, de 16, ambos sem passagens pela polícia, além do sargento do Bope Ednelson Jerônimo.