ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

ASSALTO E INDIFERENÇA

ZERO HORA 20 de agosto de 2013 | N° 17528


ROBERTO AZAMBUJA


Turista deixa a Capital criticando a segurança

Intercambista turco atacado na madrugada de domingo reclama de descaso de policiais em Porto Alegre



As sete semanas que passou no Brasil por meio de um projeto de intercâmbio foram inesquecíveis para o turco Arda Yokas, 22 anos. Conheceu as belezas do Rio de Janeiro e provou os famosos chocolates de Gramado. Mas exatamente em seu último dia, na Capital, teve de sentir o sabor amargo da insegurança.

Na bagagem, o que levaria de boas lembranças agora vai acompanhado de decepção com uma cidade que receberá milhares de turistas estrangeiros durante a Copa. E parece ainda não estar preparada.

Por volta das 4h de domingo, Yokas retornava com uma amiga para o apartamento onde estava hospedado, na Rua Avaí, no Centro. Voltavam da festa de despedida do rapaz. De repente, o jovem foi agarrado por trás e imobilizado, enquanto dois homens roubavam seu telefone celular e sua carteira. Tentou reagir, mas acabou agredido. No esforço, recuperou o objeto em que levava os documentos.

Amedrontados, os amigos decidiram registrar a ocorrência à tarde. Foram orientados a buscar a 1ª Delegacia da Polícia Civil (DP), na Rua Riachuelo. Perto das 14h de domingo, depararam com o local fechado (segundo informado a ZH, a DP está fechada aos fins de semana devido a reformas, mas há um cartaz direcionando para a 17ª DP).

Antes disso, quando encaminhava-se para a 1ª DP, a dupla reconheceu os ladrões no Largo dos Açorianos. Decidiram ir ao posto da Brigada Militar na Praça XV. Lá, foram informados de que nada poderia ser feito.

– Foi inaceitável, até engraçado. Pensei que poderia dizer à polícia onde eles estavam que iriam levá-los à delegacia para interrogatório, como aconteceria no meu país. Mas não, a polícia não agiu – desabafou Yokas, ontem, antes de embarcar de volta para Izmir, cidade onde mora na Turquia.

A orientação foi procurar a 17ª DP, na Voluntários da Pátria, ou registrar o boletim de ocorrência ao longo da semana. Os PMs teriam alertado Yokas e a amiga que não era aconselhável circular naquela região ao final da tarde porque corriam risco de assalto.

– Imagine um policial informando que a mesma rua da delegacia é perigosa e que há uma grande possibilidade de ser roubado lá? – ironizou.

Após toda a peregrinação, o boletim de ocorrência foi registrado na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Às 11h de ontem, Yokas entrou no avião sem saber se retornará ao Brasil.


Turco dava aulas na vila Bom Jesus

No período em que ficou em Porto Alegre, Arda Yokas lecionava inglês como voluntário em uma ONG na vila Bom Jesus. A região é conflagrada pelo tráfico de drogas e é uma das mais violentas da cidade. Lá, em nenhum momento sentiu-se amedrontado como na madrugada de domingo:

– Eu gostei da cidade, mas fiquei com a certeza de que não é segura. Ouvi que pessoas são roubadas dentro dos ônibus e também que (ladrões) tentam entrar em seus apartamentos. E a polícia parece que não faz nada.

Apesar da insegurança, Yokas irá lembrar, principalmente, das pessoas. Caracterizou-as como amigáveis e carinhosas, conforme a estudante que o conduziu em passeios pela Capital:

– Ele disse que a maioria das pessoas com quem conviveu sempre queria arranjar um jeito de ajudar. Por isso, foi tão triste esse contraste – conta a jovem, que preferiu não se identificar.

Em Porto Alegre, chamaram-lhe a atenção o Parcão, o Museu Iberê Camargo e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). No entanto, reclamou da sujeira nas ruas.


CONTRAPONTO O que diz o major André Luiz Córdova, comandante do 9º Batalhão de Policiamento Militar - “Tão logo se receba qualquer relato, temos uma apuração para conferir o que aconteceu. Todos os integrantes da população, caso deparem com uma situação em que forem mal atendidos, podem nos informar. Não posso formar um juízo de valor sem ter a versão dele (rapaz) e de testemunhas. Não posso criticar os policias ou ele sem ter um relato. Ele (rapaz) pode mandar por e-mail o relato que faremos a apuração.”