ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 19 de março de 2014

COPA. HOMICÍDIOS E ROUBO DE VEÍCULO PREOCUPAM NOVO CHEFE DA POLÍCIA CIVIL DO RS

ZERO HORA 19/03/2014 | 12h19

Mauricio Tonetto


Copa, homicídios e roubo de veículos: saiba o que preocupa o novo chefe de Polícia. Guilherme Wondraceck foi anunciado na chefia da polícia gaúcha na manhã desta quarta-feira


O delegado deixa a direção do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) para assumir a chefia da Polícia CivilFoto: Manuella Brandolff / Divulgação

O advogado Guilherme Wondraceck, 47 anos, pretendia ser delegado apenas por um tempo, mas, "apaixonado" pela rotina policial, acabou trilhando uma carreira de sucesso que o levou à chefia da Polícia Civil gaúcha. O anúncio ocorreu na manhã desta quarta-feira, no gabinete da Secretaria de Segurança Pública (SSP).


Natural de Ijuí, noroeste do Estado, ele trabalhava em serviços gerais de advocacia quando fez um concurso para delegado e passou. Os primeiros serviços foram em Augusto Pestana, cidade próxima. Em seguida, foi transferido para Ijuí e, em 1995, começou a trabalhar no Centro de Operações do Palácio da Polícia, em Porto Alegre. Mergulhou na carreira, foi para o 19º DP e destacou-se no Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), onde era o diretor.

Agora, no comando de 6 mil policiais – mais 700 devem ser nomeados este ano após concurso – ele reconhece que terá dificuldades novas na carreira e aposta no trabalho em equipe para superar a limitação de efetivo. Em entrevista concedida a Zero Hora, Wondraceck elencou os principais desafios que terá na chefia de Polícia e disse que a preocupação maior é com os crimes de homicídios e roubos de carros e com a segurança na Copa do Mundo. Confira trechos da entrevista:

Zero Hora – Como o senhor fará para superar a limitação de efetivo da polícia?
Guilherme Wondraceck – Eu procuro trabalhar em equipe. A palavra final é minha, mas eu ouço todos os que estão envolvidos na investigação. Não sou o dono da verdade. Sempre tive muita sorte de ser ajudado por excelentes policiais nos lugares onde trabalhei. Se hoje eu chego nesse posto, é porque trabalhei com bons policiais. É um trabalho em equipe, serei assessorado pelos diretores de departamentos e divisões e pelos policiais.

Zero Hora – No ano passado, houve redução de 5,5% nos homicídios e aumento de 22% nos latrocínios. O que será feito em ambos os crimes?
Wondraceck – A polícia elucidava 20% dos homicídios. Hoje, é mais de 70%. Vamos continuar dando ênfase nisso. Não há previsão de novas delegacias de homicídios (atualmente são 16 no Estado), faremos ajustes e correções de rumos, quando necessitar. Já o crime de latrocínio (roubo seguido de morte) tem de ser combatido com policiamento ostensivo, prisão e repressão. Nas cidades onde mais ocorrem latrocínios, vamos dar mais atenção. A nova turma de policiais formada nos próximos meses será distribuída aos órgãos mais demandados nesse crime.

Zero Hora – O roubo de veículos é um dos crimes mais preocupantes no Estado. Quais são as ações contra ele?
Wondraceck – Queremos combater sobremaneira o roubo de veículos, que é uma chaga que nas grandes cidades e no Interior. Queremos, na medida do possível e com novos policiais, enfrentá-lo. A Divisão de Planejamento vem fazendo um estudo para saber quantos policiais são necessários para as delegacias de repressão a esse delito. É uma coisa que assusta a todos nós. Há um estudo que mostra que 89% dos furtos e roubos de veículos se concentram em pouco mais de 20 cidades, que serão o foco. Aqui na Capital, a delegacia será bastante incrementada.

Zero Hora – Teremos uma Copa do Mundo tranquila?
Wondraceck – – A Copa do Mundo é um grande desafio. A polícia já está se preparando junto aos outros organismos de segurança e inteligência para fazer uma Copa tranquila, na medida do possível. Com apoio do Exército e da inteligência, vamos minimizar protestos. Agiremos tecnicamente. As manifestações são legítimas, mas temos de identificar que vai para cometer crime. Não são apenas os ladrões que roubam, é da índole de muita gente fazer isso. O preço para brasileiros é um, e para estrangeiros é outros. Vamos pedir que tratem os turistas com carinho no período da Copa.

Zero Hora – Haverá uma preocupação especial com a corrupção?
Wondraceck – Tem sido uma tônica o combate à corrupção no serviço público e dentro da polícia. Estamos recebendo um laboratório contra a lavagem de dinheiro que será amplamente usado nas investigações. Ele ficará lotado no gabinete de inteligência, terá uma equipe própria e será fundamental não só para os crimes contra a legislação pública, mas também contra crimes de toda ordem. como tráfico de drogas e roubos. Nosso objetivo é usar a ferramenta com inteligência para dar um suporte à investigação cotidiana, que é o que estou acostumado a fazer. A polícia deu um salto nos últimos anos em inúmeras grandes operações e nisso pretendemos continuar.


ZERO HORA 19/03/2014 | 13h38

"Com apoio do Exército e inteligência, vamos minimizar protestos na Copa", diz novo chefe de Polícia. Guilherme Wondraceck, anunciado para o cargo na manhã desta quarta-feira, acredita em um mundial tranquilo


Um dos principais desafios do novo chefe de Polícia do Estado, delegado Guilherme Wondraceck, é mostrar para o mundo que o Rio Grande do Sul tem condições de receber milhares de turistas e garantir que eles circulem pelas ruas, gastem dinheiro e se divirtam com segurança durante a Copa do Mundo. Para isso, a polícia trabalhará integrada com o Exército, a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Brigada Militar e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Anunciado na manhã desta quarta-feira em substituição ao delegado Ranolfo Vieira Junior, que ocupava o cargo desde o início do governo Tarso Genro e, agora, licencia-se para concorrer a deputado estadual pelo PTB, Wondraceck afirma que será feito um trabalho de prevenção para impedir que criminosos infiltrem-se em protestos. Além disso, segundo ele, haverá forte policiamento durante o Mundial:

– A Copa do Mundo é um grande desafio. A polícia já está se preparando junto aos outros organismos de segurança e inteligência para fazer uma Copa tranquila, na medida do possível. Com apoio do Exército e da inteligência, vamos minimizar protestos. Agiremos tecnicamente. As manifestações são legítimas, mas temos de identificar que vai para cometer crime.

O escolhido para chefiar a Polícia Civil gaúcha vem do mais importante organismo de repressão ao crime organizado no Rio Grande do Sul. Diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Guilherme Wondracek tem 47 anos, sendo 22 anos na corporação. Uma das suas principais marcas, a investigação, terá uma atenção especial daqui para frente.

– Temos de aprimorar a prevenção, investigar os bandidos que se aproveitam dos protestos. Queremos evitar ao máximo dissabores aos turistas e moradores no período da Copa. O grande número de pessoas de fora, com dinheiro, vai aguçar a vontade dos que vivem disso – complementa Wondraceck.

O delegado é constantemente elogiado pelo trabalho à frente do Deic, posto em que está desde 2011. Só no departamento, atuou por 11 anos (de 1999 a 2001 e de 2005 a 2014), passando pelas delegacias de Capturas e de Roubo de Cargas. Nos últimos anos, teve como um dos grandes desafios as investigações de responsáveis por roubos a agências bancárias.