ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 13 de março de 2014

CASO AMARILDO EM JULGAMENTO


ZERO HORA 13 de março de 2014 | N° 17731


CASO AMARILDO. “Eram gritos terríveis”, diz soldado da PM do Rio



O soldado Alan Jardim, tesoureiro da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, foi a primeira testemunha de acusação a ser ouvida na audiência sobre o desaparecimento e morte presumida do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza. A juíza da 35ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, Daniella Alvarez, ouvirá no total cinco policiais militares e civis da Delegacia de Homicídios. Os depoimentos fazem parte da segunda audiência de instrução e julgamento do caso, ocorrido em 14 de julho.

Como a imprensa não tem acesso à sala de audiência, todas as informações são repassadas aos jornalistas pela assessoria de imprensa do TJ. Jardim disse à juiza que recebeu ordens para fazer um patrulhamento externo com outros policiais, mas não se lembrava de quem tinha partido a ordem. Ele teria ficado no contêiner ao lado da base da UPP e depois foi ordenado a entrar no contêiner de apoio. Segundo ele, todas as câmeras no entorno da UPP da Rocinha estavam desligadas no dia da “averiguação” do ajudante de pedreiro.

O soldado contou que viu uma viatura chegar na UPP com uma pessoa e que, em seguida, ouviu a pergunta “Você não vai falar?”. A frase foi seguida por gritos de sufocamento e gemidos bem altos.

– Eram gritos terríveis, enlouquecedores – afirmou durante o depoimento.

Ele também teria ouvido barulhos de água “como se estivessem acordando uma pessoa”.

Em sequência, Jardim ouviu várias pessoas falando. O burburinho foi seguido pelo silêncio e, de repente, pessoas gritando “Deu m..., deu m...”. No mesmo dia, o soldado teria recebido ordens para pegar uma capa de moto e teria ouvido barulho de fita crepe sendo desenrolada no contêiner ao lado. Antes de ir embora (ele não falou o horário), teria visto cinco pessoas se dirigindo para a mata com a capa de moto.

A policial civil Alik Rachel Amorim foi dispensada de testemunhar. Ela era uma das 20 testemunhas de acusação dos 25 policiais réus no caso. Outras pessoas ainda podem ser dispensadas ao longo do processo.