ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SINISTRO NA ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR

O SUL Porto Alegre, Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014.



É preciso pensar bem sobre toda a extensão do atentado.



Não caía sobre Porto Alegre nenhuma tempestade na noite de segunda-feira última quando dez viaturas zero-quilômetro, que faziam parte de um lote de 200, todas estacionadas no pátio da Academia de Polícia Militar, incendiaram ou foram incendiadas. Em hipóteses sherlockianas, estão afastadas parcialmente as ideias de que um raio tenha provocado o sinistro ou de que a causa de tudo tenha sido um curto-circuito acidental em um dos carros. Na mesma esteira, também não é crível que um coquetel molotov tenha sido lançado contra a frota, pois o estrago também não teria a proporção que teve. Resta, pois, em primeiro plano, a hipótese de um atentado premeditado com método silencioso cujo objetivo até poderia ser de uma destruição maior. Portanto, a hipótese de "atentado', levantada pelo próprio Piratini, já que o secretário da Segurança Pública Airton Michels chegou ao local calado e saiu sem nada falar, é uma obviedade. O mistério, evidentemente, recai sobre a autoria do crime. Na continuação, ao visualizar de minha torre a moldura em que se desenhou o sinistro, repito: sigam-me


Território da paz


Vou resumir a minha visualização: houve um tempo, não muito distante, que em que o ataque direto de um bandido contra um policial era impensável. Mas as organizações policiais enfraqueceram na medida em que os quadrilheiros se fortaleceram e os enfrentamentos começaram a acontecer no plano da ação e da reação. Na fase seguinte, os bandidos perderam o respeito pelo policial nas ruas e, na sequência, passaram a atacar viaturas, delegacias e postos. Nesse campo, os ataques maiores sempre foram contra os cidadãos civis que hoje são assaltados dentro de suas residências. Então, o incêndio das viaturas não se trata de um atentado isolado contra a Brigada, mas contra todos os cidadãos. Independente de quem praticou o crime, dizer que foi apenas um atentado contra a Brigada é minimizar a gravidade do clima de insegurança que a sociedade, por inteiro, vive neste momento. O governo da transversalidade gaúcha faz uma pregação messiânica sobre os chamados territórios da paz e tenho dito de minha torre que território da paz não pode ser instituído aqui e ali com bandeirinhas e bandeirolas em salas em tom lilás. Território da paz tem de ser o Rio Grande, incluso nele, por evidência, o pátio da Academia Militar de Polícia


Caso Kunzler


Leio, no fim da tarde de quarta-feira, que a Polícia Civil pediu à Justiça a prisão temporária de um homem acusado de participar do assassinato do publicitário Lairson José Kunzler, ocorrido na tarde de segunda-feira, no bairro Cavalhada, Zona Sul de Porto Alegre. Kunzler foi vítima de latrocínio