ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

CHANTAGEM


FOLHA.COM 01/02/2014 03h00

OPINIÃO


Renato Andrade



BRASÍLIA - A missão da Polícia Militar do Distrito Federal é, segundo a própria corporação, "promover a segurança e o bem-estar social por meio da prevenção e repressão imediata da criminalidade e da violência, baseando-se nos direitos humanos e na participação comunitária".

Desde o fim de 2013, parte dos policiais resolveu ignorar o lema para tentar arrancar do governador Agnelo Queiroz um reajuste salarial –de nada menos que 66,8%– e outras promessas feitas pelo petista durante a campanha eleitoral passada.

O resultado prático, até agora, da autointitulada operação tartaruga é um impressionante saldo de 63 assassinatos em apenas 29 dias.

O nome certo para o que esses policiais estão fazendo é chantagem. Basta consultar um dicionário para ver o significado da palavra.

A bagunça chamou atenção nesta semana porque a violência, tradicionalmente concentrada na periferia brasiliense, chegou aos bairros mais nobres da capital.

Acostumados à tranquilidade da ilha da fantasia do "outback" brasileiro, os moradores da cidade assistiram, num intervalo de poucas horas, cenas pouco usuais: funcionário de supermercado esfaqueado, morador de rua alvejado por policial à paisana na hora do almoço e a morte de um jovem de 29 anos, que recebeu um tiro na nuca quando estacionava seu carro em frente ao prédio em que morava com a mãe.

Depois de fingir que nada acontecia, o governador do Distrito Federal resolveu sentar ontem com o comando da PM para discutir a questão. O resultado foi pouco edificante: oficiais prometeram ir para as ruas fazer o policiamento e colocar as coisas no lugar. É preciso ver para crer.

Em evento no fim do ano passado, um sargento da PM disse ao secretário de Segurança que sem reajuste, o "troco" seria dado durante a Copa do Mundo. Imaginem o que pode acontecer com "black blocs" nas ruas e PMs sentados nos quartéis.