ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SEXTA-FEIRA 13 NO PIRATINI

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012.


A alquimia do governo que acalmou, por ora, delegados e oficiais de nível superior da Brigada, deverá ser a mesma a ser proposta para agentes da Polícia Civil.

Amanhã, sexta-feira 13, promete. Os agentes policiais estão mobilizados para a audiência agendada pela Casa Civil com a Ugeirm (Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia). Não haverá paralisação de atividades. No entanto, a categoria em peso vai acompanhar a proposta que deve ser feita pelo governo. A vigília em frente ao Palácio Piratini, e nas diversas DPs do Estado, é em defesa da verticalidade dos salários na Polícia Civil. A tabela proposta é conhecida da Casa Civil há vários meses e contempla todas as categorias, sem exceções.

Até agora, o governo negociou 91 reais no vencimento básico dos agentes. Desse total, 40 reais foram creditados em outubro de 2011 e a segunda parcela, de 51 reais, só vai estar nos contracheques a partir de abril deste ano. Meses depois, o governo negociou um calendário profético e, por isso, estranbótico com os delegados: o salário inicial de sete mil vai chegar a 17,5 mil até 2018, totalizando quase 150% de reajuste para os que até lá estiverem vivos, que foi aceito. Sigam-me

Alquimia

O atendimento à sociedade será normal nesta sexta-feira, mas o clima é tenso nas delegacias. No comparativo nacional de salários, os agentes gaúchos estão na lanterna, a despeito do baixíssimo efetivo (cerca de cinco mil policiais para uma população de quase 11 milhões de habitantes) e da exigência de nível superior. A lei veda outra fonte de renda para o policial, que exerce atividade de risco. Três agentes policiais foram assassinados em 2011. Aqui da minha torre, a visão que tenho é de que uma alquimia escorredia semelhante ao do misterioso aumento dos delegados será oferecida aos agentes.

Detalhes

Estive revendo declarações em torno do caso envolvendo o delegado Leonel Carivali no qual resultou morta a vítima de um sequestro. Pela gravidade do fato, detalhes não deveriam ser, de certa forma, omitidos nas declarações das autoridades encarregadas da investigação. Um deles é da maior importância. Carivali nunca afirmou que tenha atirado, simplesmente, contra o carro dos bandidos. Ele disse, sim, que o sequestrador desceu armado e, ao lado do veículo, abriu fogo e, só então, ele, o delegado, atirou. Nesta altura, ninguém sabia quem estava no carro. A perícia já confirmou que as armas dos bandidos foram acionadas.