ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A DESORIENTADA POLÍCIA DE ALCKMIN


Mário Simas Filho, Diretor de Redação. Editorial REVISTA ISTO É, N° Edição: 2201, 16.Jan.12 - 10:33.

Informado de que em abril o governo federal iria anunciar seu programa nacional de combate ao crack, o governador Geraldo Alckmin procurou sair na frente e logo depois do Réveillon deflagrou uma operação para livrar São Paulo da chamada Cracolândia, símbolo maior do problema das drogas no Brasil.

Os paulistanos foram surpreendidos na terça-feira 3 com a notícia de que mais de uma centena de PMs estava tomando alguns quarteirões na região central da maior cidade do País, que, de forma inaceitável, há anos vêm sendo ocupados por uma legião de dependentes químicos de crack e por pequenos traficantes. Imediatamente, vozes mais sensatas passaram a criticar a ação.

Antes de ser uma questão de polícia, a Cracolândia é uma ferida aberta que expõe diariamente a falência da saúde pública no Estado e no País. Um problema social que os seguidos governos tucanos em São Paulo não conseguiram equacionar.

Ao usar policiais contra figuras cadavéricas em flagrante processo de definho por causa das drogas, o governo conseguiu “espalhar” a Cracolândia para asruas vizinhas e mostrou que sua polícia está tão desorientada quanto o PSDB para escolher seus candidatos. Mais de dez dias depois de iniciada, a contabilidade da operação é um tiro no pé.

Dezenas de comerciantes e centenas de moradores dos bairros próximos aterrorizados, diversas denúncias de agressões praticadas pelos homens fardados contra os desnutridos e imagens de policiais disparando contra os viciados correndo o mundo. De concreto, nenhum grande traficante preso, menos de 500 gramas de crack apreendidos e o vexame de constatar que o Estado e a Prefeitura de São Paulo não dispõem de uma estrutura capaz de atender dignamente a um punhado de dependentes.

O Ministério Público definiu a ação como “desastrosa” e o caso já está na pauta das entidades internacionais de Direitos Humanos como mais um episódio que mancha a reputação do Brasil.

O governo tentou se justificar afirmando tratar-se de uma ação articulada, pois depois da polícia viriam os agentes sociais e as internações. Logo se percebeu que a falada articulação está bem próxima da harmonia mostrada pelos bonecos de ar de propaganda em postos de gasolina. A vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antônio, declarou que apenas em março um galpão preparado para receber e tratar os dependentes da Cracolândia estará pronto para funcionar.

Se não fosse a trapalhada pressa do governador, é possível que hoje os traficantes não estivessem rindo do governo – e vendendo pedras de crack na frente dos policiais – e os contribuintes estivessem mais satisfeitos.