ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A CONTA DA FORÇA-TAREFA

Reforço custará R$ 1,3 milhão. Com o objetivo de reduzir os homicídios, BM e Polícia Civil se unem em uma operação que começa no próximo fim de semana - FRANCISCO AMORIM, ZERO HORA 09/05/2012

Para frear a elevação no número de homicídios no Estado, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) vai gastar R$ 1,3 milhão em uma força-tarefa que se estenderá por até quatro meses. Depois de o primeiro trimestre registrar alta de cerca de 19% no número de homicídios no Rio Grande do Sul, a nova estratégia tem como meta reduzir ainda em maio as mortes nas 11 cidades que concentram 65% dos casos deste ano.

Anunciada oficialmente em uma entrevista coletiva na tarde de ontem, a força-tarefa se dividirá em duas frentes, com alvos e durações distintas. Enquanto a Polícia Civil atuará na investigação de mortes ocorridas ao longo do ano em 11 municípios durante quatro meses, a Brigada Militar deve saturar as ruas de bairros violentos durante dois meses em seis municípios.

– Além da Região Metropolitana, decidimos reforçar a investigação em três cidades do Interior que estão nos preocupando: Pelotas, Passo Fundo e Caxias do Sul – explicou o chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Júnior.

A estratégia é usar 60 agentes para formação de equipes especiais para apurar apenas casos de homicídios, como Zero Hora antecipou na edição de ontem. Serão gastos em diárias de policiais civis cerca de R$ 640 mil. Segundo o delegado, o prazo maior de permanência nas cidades em relação à ação da BM se deve ao tempo necessário para se desenvolver investigações.

– Precisamos reunir elementos consistentes para retirar das ruas quadrilhas que estão por trás de boa parte dos crimes – explicou.

Para o comandante-geral em exercício da BM, coronel Altair Cunha, os R$ 720 mil em diárias a serem distribuídas para 200 PMs devem se refletir em quedas nos números da violência já no próximo final de semana, quando o reforço passa a atuar em seis cidades da Região Metropolitana.

– O efeito de saturação nestes dois meses deve reduzir as mortes em um primeiro momento, mas é preciso que a investigação da Polícia Civil desarticule os grupos. Por isso, a importância do trabalho integrado – justificou o oficial.

Os PMs devem atuar em patrulhas em áreas conflagradas, sempre com a supervisão de sargentos e tenentes dos batalhões onde atuarão durante a força-tarefa. Eles formarão uma espécie de pelotão extra de 25 homens nessas unidades. Pelo planejamento do comando, serão cinco pelotões em cidades do entorno de Porto Alegre e três para a Capital.

– No caso do pelotão que ficará em Canoas, ele também será empregado em ações em Sapucaia do Sul e Esteio – afirmou o coronel.

Operação poderá ser estendida

O secretário da Segurança Pública, Airton Michels, aposta que 60 dias de presença reforçada de PMs em área de maior índice de violência deverão refletir nos números da criminalidade já em maio. Ele, no entanto, não descarta prorrogar por dois meses a permanência dos PMs nos municípios alvos da força-tarefa.

– Caso seja preciso que o reforço fique mais tempo, ele ficará – disse.

Segundo Michels, as comunidades que estão cedendo PMs receberão de volta policiais mais capacitados. Questionado sobre de onde vem o reforço, Michels preferiu preservar mais uma vez a informação:

– Não vamos divulgar isso, não achamos que seja importante, mas posso garantir que os PMs não sairão de cidades com menos de 15 policiais. Escolhemos municípios da Metade Sul, da Fronteira Oeste e das Missões que não tenham problemas de efetivo.