ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 23 de julho de 2013

POLICIAL É ATINGIDO POR MOLOTOV EM PROTESTO NO RIO


Manifestantes e polícia entram em confronto perto do Palácio Guanabara. Conflito começou por volta das 19h45m. Polícia usa bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e um caminhão-pipa para dispersar os manifestantes

O GLOBO 
Atualizado:22/07/13 - 23h27

Um policial é atingido por coquetel molotov durante confrontos em Laranjeiras Victor R. Caivano / AP


RIO - Um protesto contra o governador Sérgio Cabral e a visita do Papa ao Brasil, iniciada nesta segunda-feira, resultou em confronto na Rua Pinheiro Machado, perto do Palácio Guanabara, onde o Pontífice foi recepcionado por autoridades, no início da noite. O conflito teria começado por volta das 19h45m, após alguns manifestantes encapuzados derrubarem uma grade e jogarem coquetéis molotov contra os policiais. Pouco antes, os militares já haviam sido atingidos por pedras. Para dispersar os cerca de 1.500 manifestantes, a polícia usou gás lacrimogêneo, balas de borracha e um caminhão-pipa. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas e sete foram detidas, uma delas com 20 coqueteis molotov, segundo o polícia.

De acordo com a OAB, um jovem foi detido por arremesso de explosivo; um por desacato a autoridade; um por formação de quadrilha; um por incitação à violência e um por dano ao patrimônio.

Muitos dos jovens que participavam do protesto correram em direção à Rua das Laranjeiras para fugir do conflito. Alguns manifestantes se abrigaram em uma loja de departamentos, e a PM determinou que os clientes saíssem, um por um, para todos serem revistados.

- Eles entraram, fecharam a loja e revistram todo mundo. Não deixaram os advogados da OAB entrarem. Tinha uma menina com um kit de primeiros socorros na loja, ela foi detida. Vim aqui para ajudar - diz Priscila Prisco, advogada do grupo Habeas Corpus Rio.

Dois policiais, um fotógrafo japonês e o repórter fotográfico Marcelo Carnaval, do GLOBO, foram feridos durante o conflito. Outras quatro pessoas foram atendidas no Hospital Souza Aguiar: Aélia da Silva, com uma lesão no mão provocada por uma pancada de cassetete; José Sales Pimenta, atingido por uma bala de borracha nas costas; Rafael Caruso, com um corte na batata da perna; e Rafael Gomes, que levou três tiros de bala de borracha - nas costas, nas nádegas e na perna. Os médicos não souberam explicar a origem do corte na perta de Rafael Caruso. Os manifestantes denunciaram nas redes sociais que o rapaz havia sido ferido com um tiro de arma de fogo, o que não foi confirmado.

- A polícia agiu contra as manifestantes sem nenhum revide. A gente estava correndo da PM quando o meu colega Leonardo Caruso foi ferido na panturrilha, na altura da Igreja do Largo do Machado - diz o estudante de medicina Felipe Camisão.

Durante a confusão, um caminhão da TV Globo foi depredado em frente ao estádio das Laranjeiras. O protesto começou por volta das 18h, inicialmente a favor dos direitos homossexuais. Um segundo grupo, que pede a renúncia do governador, se juntou aos manifestantes na Rua Pinheiro Machado. Um boneco do governador já havia sido queimado por volta das 19h. Após o confronto, os policiais fizeram um cordão de isolamento próximo ao Viaduto Engenheiro Noronha.

Os sete detidos foram levados para a 9ª DP. Entre eles está Filipe Peçanha, cinegrafista da Mídia Ninja. Um segundo integrante da Mídia Ninja foi detido por volta das 20h55m. Eles foram liberdos por volta das 22h30m

- Fui detido para averiguação. Perguntei averiguação de que, mas eles não responderam. Me colocaram à força na viatura. Eu estava filmando tudo com dois celulares, que foram arrancados de mim dentro do carro - diz Filipe Peçanha, que não teve de pagar fiança para ser liberado.

Os dois integrantes da Mídia Ninja assinaram um Termo Circunstanciado por incitação à violência. Eles terão de comparecer ao 3º Juizados Especial Criminal (Jecrim).

Pelo Twitter, a PM culpou o grupo Black Bloc pelo início da confusão em frente ao Palácio Guanabara. Pouco antes das 20h, a corporação botou no ar a mensagem: “Manifestação transcorreu com tranquilidade até a atuação dos Black Blocs. #VandalismoNão.''

O Twitter da PM publicou uma série de mensagens denunciando a ação de vândalos nos arredores do Palácio Guabanara. Algumas foram: “Vários órgãos sérios de imprensa testemunharam o ataque de #vândalos aos #PMs”; “Não confie em mascarados”; e “Quem usa crianças como escudo não é manifestante. É criminoso”.

Pela rede social, a corporação negou que um manifestante tenha sido atingido por munição letal. A PM informou ainda que outros dois homens foram presos por estarem assaltando manifestantes.