ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

DELEGADOS DO DENARC DEPÕEM E DOIS SE ENTREGAM

O ESTADO DE S.PAULO,  17 de julho de 2013 | 20h 40


RICARDO BRANDT E RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA A AE - Agência Estado


O Ministério Público Estadual (MPE) ouviu nesta quarta-feira os depoimentos dos dois delegados do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), Clemente Castilhone Júnior, da Unidade de Investigações, e Fábio Amaral de Alcântara, da 3.ª Delegacia de Apoio, presos nesta segunda-feira, 15. Nesta quarta-feira, dois policiais do órgão, Gilson Iwamizu dos Santos e Jandre Gomes de Souza, se entregaram - quatro ainda estão foragidos e já são nove os presos por envolvimento com o tráfico.

Castilhone e Alcântara são suspeitos de vazar informações sobre uma operação contra agentes que teriam envolvimento com um esquema de cobrança de propinas e extorsão de traficantes de Campinas. "Os depoimentos aumentaram as convicções do Ministério Público de que houve vazamento de informações no Denarc", disse o promotor José Tadeu Baglio.

Os policiais teriam informado traficantes sobre a invasão da Favela do São Fernando, principal ponto de venda de drogas de Campinas, que é comandado pelo sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, de dentro da Penitenciária de Presidente Venceslau. Os delegados, porém, não admitiram que foram os responsáveis pelo vazamento.

Também foram convocados dois policiais do 10.º Distrito Policial de Campinas, Renato Peixeiro Pinto e Mark de Castro Pestana. Acusados de receber propina de traficantes, os agentes ficaram calados. "É a palavra de um delator traficante contra policiais com histórico de combate ao tráfico", disse o advogado Ralph Tórtima Sttetinger Filho. Mais crimes. Um sargento e dois soldados da Polícia Militar foram presos com outros dois homens em Taquaritinga, interior de São Paulo, sob a acusação de envolvimento com o tráfico de drogas na cidade.

Uma investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do MPE, com escutas telefônicas, apontou que eles atuavam em parceria com um distribuidor de entorpecentes. As investigações começaram há dois meses. Um tenente da PM e um traficante já haviam sido presos, no fim de maio, por ter montado o esquema criminoso. O oficial seria o responsável por levar droga apreendida a traficantes.