ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 1 de dezembro de 2012

LISTA PARA MATAR POLICIAIS MILITARES


Traficante tinha novas listas de PMs. Além de detalhes sobre rotina de policiais, foram encontrados com o suspeito um 'salve', ordenando a morte de agentes, armas e drogas

William Cardoso - O Estado de S.Paulo, 29/11/2012


Duas listas com nomes de sete policiais militares foram apreendidas anteontem com o traficante Fábio Silva de Souza, de 24 anos, no Jardim Macedônia, na zona sul de São Paulo. Também foram encontrados com ele um "salve" (comunicado) determinando a morte de dois policiais para cada integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) morto, contabilidade do tráfico, armas, bananas de dinamite, explosivos e drogas.

As listas continham detalhes da rotina de policiais militares da zona sul e de Embu das Artes, na Grande São Paulo - em um dos casos, foi dito que um PM ficava "moscando em uma padaria". Segundo a polícia, Souza disse que alguns nomes foram passados a ele diretamente pelo chefe do tráfico em Paraisópolis, Francisco Antonio Cesário da Silva, o Piauí, transferido no dia 8 de novembro para uma penitenciária federal em Porto Velho (RO). Piauí é apontado como o autor de uma primeira lista encontrada em outubro com 42 nomes de policiais, além de endereços, características físicas e locais que eles frequentam. A outra parte foi ditada por telefone, segundo Souza, de uma penitenciária estadual.

Em outro documento, um "salve" destinado aos criminosos do Jardim Macedônia, Jardim das Rosas, Jardim São Luiz, Jardim Leme, Mitsutani e Parque do Engenho, foi ordenada a morte de policiais. "Cada irmão tem a obrigação de derrubar dois vermes (policiais, na gíria dos criminosos) para cada irmão do partido derrubado", diz o texto. Caso a ordem não fosse cumprida, os bandidos seriam cobrados de forma "drástica".

Segundo o titular da 4.ª Delegacia Seccional, Cosmo Stikovics Filho, a PM já foi informada sobre a lista. "Foi passada à Corregedoria." Para o delegado, a situação atual é pior que a onda de ataques de maio de 2006. "Além de endereços, eles falam sobre a rotina dos policiais. Torna-se mais difícil a defesa, é diferente de um confronto direto."

A polícia chegou até Souza após a prisão de três suspeitos há dois meses, na Avenida Água Espraiada, também na zona sul. Aos policiais, ele afirmou que veio de Porto Velho para São Paulo há cerca de um ano e, como não conseguiu emprego, começou a traficar, por intermédio de conhecidos do bairro. Também disse não ter relação com a morte de policiais, apesar das listas.

Tráfico. A polícia encontrou também uma folha de caderno com a contabilidade referente a 13,23 quilos de maconha (descrita como "Bob"), distribuídos por Souza entre outros traficantes da região. A droga, que teria custado R$ 14.553, já havia rendido R$ 25.558 ao distribuidor.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -  Enquanto permanece a inércia e o recesso de final de ano no Congresso Nacional com os representantes do povo indiferentes à onda da violência que ataca policiais e a autonomia das unidades federativas; enquanto vigora o descaso dos direitos humanos para com os direitos humanos dos policiais e familiares que estão sendo atacados pela bandidagem; e aumenta o abandono dos policiais pela população brasileira.

Diante deste desleixo, o PCC se enche de poder, aplica a pena de morte aos agentes do Estado e amplia sua influência nos presídios e facções por todo o Brasil. Poucos têm tido a coragem, mesmo impotente, de sair em defesa dos policiais para exigir uma justiça coativa, investimentos na dignidade e ressocialização dos apenados, controle total do setor prisional e maior rigor da lei.

Não podemos esquecer que os governantes deveriam também se preocuparam em dotar os policiais do suporte de um sistema de justiça criminal, salários justos, condições de trabalho, segurança pessoal e financeira às famílias dos policiais, valorização da dedicação exclusiva, ciclo completo policial em todas as polícias (investigativo, pericial e ostensivo), e afastamento da ingerência partidária nas questões técnicas policiais.