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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

PMS SUSPEITOS DE ASSASSINATO E ASSALTOS

ZERO HORA 19 de dezembro de 2012 | N° 17288

MORTE DE MILITAR
PMs suspeitos de matar coronel. Dois soldados do 11º Batalhão de Polícia Militar, a namorada de um deles e o cunhado de outro foram presos ontem pela manhã

JOSÉ LUÍS COSTA

Dois soldados do 11º Batalhão de Polícia Militar (11º BPM), presos ontem na Capital, são suspeitos de envolvimento na morte do coronel aposentado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, 78 anos. Segundo investigações policiais, os PMs pretendiam roubar o arsenal particular que o oficial reformado mantinha em sua residência – uma coleção com 23 revólveres, pistolas e espingardas.

A hipótese mais provável é de que o armamento seria empregado em assaltos ou repassado a outros criminosos. Os soldados fariam parte de uma quadrilha de PMs suspeita de roubos a estabelecimentos comerciais na Zona Norte. Conforme o delegado Alexandre Vieira, da 9ª Delegacia da Polícia Civil, outros dois PMs foram identificados e são alvo de investigações.

Corregedoria da BM participou das prisões

Ex-chefe do Destacamento de Operações e Informações – Centro de de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro, Molinas reagiu a tentativa de invasão a casa dele no bairro Chácara das Pedras e acabou morto a tiros de pistola com o controle remoto do portão em uma das mãos. Essa é a versão apresentada pela Polícia Civil e pela Brigada Militar para o crime, ocorrido há exatos 48 dias, em Porto Alegre.

As duas corporações reuniram ontem mais de uma centena de homens para deflagrar a Operação Mosaico, que resultou na prisão de quatro pessoas – dois soldados, a namorada de um deles e o cunhado do outro. Por se tratar de ordens de prisões temporárias, as polícias preferiram não divulgar os nomes dos envolvidos.

Lotados na 3ª Companhia do 11º BPM, localizada a um quilômetro da casa de Molinas e responsável pelo patrulhamento da região, os soldados – um de 31 anos e outro de 23 anos – vinham sendo investigados há quase um ano pela Corregedoria-geral da BM por suspeita de desvio de armas da corporação apreendidas no batalhão após uso em tiroteios. O número não foi revelado. Sabe-se que uma pistola calibre .40 tinha sumido em Porto Alegre e foi recolhida das mãos de um assaltante em Caxias do Sul, meses atrás.


Soldados teriam assaltado farmácia

Em outubro, chegou ao conhecimento da corregedoria que PMs estavam entre os encapuzados que assaltaram, no dia 14 daquele mês, uma farmácia na Rua Anita Garibaldi, no bairro Boa Vista.

Câmeras do circuito de TV gravaram a invasão da loja, mostrando um dos bandidos com uma bermuda tipo camuflada, em tons verde (ver página ao lado). Para surpresa da corregedoria, um dos soldados sob investigação tinha postado numa rede social uma foto vestindo bermuda semelhante.

Os nomes e os dados pessoais do soldado e de outros PMs foram compartilhados pelo Corregedoria com a 9ª DP (responsável por investigar o roubo a farmácia). No mesmo dia do assalto, um Gol vermelho foi roubado na Rua Ulisses Cabral, via onde morava Molinas. O carro teve as placas clonadas, e seis dias depois, foi multado na estrada Costa Gama, na Zona Sul. O motorista estava sem cinto de segurança e tinha cruzado um sinal vermelho.

A cena foi flagrada por três PMs, que anotaram as placas do Gol e aplicaram a multa que foi parar em Caxias do Sul, onde mora a dona do veículo cujas placas originais tinham sido copiadas. A mulher jamais estivera na Capital. Interrogados após o crime, os PMs reconheceram por fotos um dos soldados suspeitos da morte do coronel como o condutor do Gol.

Ao iniciar as buscas aos assassinos de Molinas, o delegado Luís Fernando Martins de Oliveira, da 20ª DP, recebeu um relatório da investigação contra os PMs. Em paralelo, recebeu os resultados da perícia no Gol vermelho, abandonado a cinco quadras da casa do coronel.

– Os peritos fizeram um trabalho excepcional, confrontando impressões de mais de cem suspeitos de assaltos, de PMs e de pessoas das relações deles – destacou o delegado Oliveira.

Conforme a perícia: o Gol continha fragmentos de impressões digitais da namorada de um dos PMs e do cunhado de outro – os quatro presos ontem. Para os delegados, são indícios da participação dos policiais no assassinato, embora a polícia ainda não saiba quem matou o coronel.


Entenda o caso

1) O coronel Julio Miguel Molinas Dias ingressa na Rua Professor Ulisses Cabral, na Chácara das Pedras, dirigindo o seu C4 na companhia de um homem. O carro, em baixa velocidade, é seguido por um Gol vermelho. No meio da quadra, em frente à casa de um vizinho, o C4 para. Armado com uma pistola, o coronel atira contra o homem ao seu lado. O tiro pega na janela. O caroneiro revida, acertando na porta do motorista.

2) O Gol emparelha ao lado de Molinas Dias. O homem sentado ao lado do coronel desce, faz a volta e arranca o militar para fora do carro. Os dois entram em luta corporal, caindo atrás do C4.

3) O agressor do coronel se levanta e corre para o meio dos dois carros. O motorista do Gol desce e são disparados uma dúzia de tiros. Dois tiros atingem o muro e uma janela de um condomínio.

4) O militar tomba baleado no lado direito do rosto, no tórax e no braço esquerdo. Os bandidos fogem no Gol, possivelmente com a arma do coronel, que desaparece. Cápsulas de três calibres 9 mm, .380 e 45 ficam no chão.

A INVESTIGAÇÃO - Como foram identificados

1) Uma semana antes do crime, um PM foi flagrado dirigindo o Gol que seria utilizado pelos assassinos de Molinas. O veículo era roubado

2) Após ser apreendido e periciado, o Gol continha fragmentos de impressões digitais da namorada de um PM e do cunhado de outro policial

3) A polícia descobriu que um quadrilha de PMs praticava assalto a estabelecimentos comerciais na região


Crack e maconha aprendidos

Às 6h de ontem, uma centena de agentes da Polícia Civil, acompanhados de oficiais da Corregedoria-geral da Brigada Militar, cumpriram ordens de prisões de PMs e mandados de busca em quarteis.

Para o bairro do Campo Novo, seguiu um grupo de policiais liderado pelo delegado Luís Fernando Martins de Oliveira, onde foi capturado em casa um dos soldados de 23 anos.

O homem não esboçou reação. Outro soldado de 31 anos, sete como PM, foi preso na companhia da namorada em uma apartamento do bairro Jardim Carvalho pela equipe do delegado Daniel Ordahi.

O delegado Alexandre Vieira seguiu para o bairro Passo da Areia, onde vasculhou armários de PMs no 11º BPM, batalhão ao qual estão vinculados os dois PMs presos. No bairro Chácara das Pedras, o delegado Tiago Baldin revistou a sede da 3ª Companhia, local onde os PMs presos cumpriam expediente diários. Em um armário, sem identificação do dono, foram apreendidas 24 pedras de crack e uma porção de maconha.


Roupas sugerem envolvimento em outro roubo

Confira as fotos abaixo