ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MAIS DELEGACIAS CONTRA O CRIME

ZERO HORA 17 de dezembro de 2012 | N° 17286

COMBATE AOS HOMICÍDIOS. Polícia promete instalar mais DPs especializadas. Novas unidades serão abertas nas 11 cidades que concentram 65% dos assassinatos no Estado

JOSÉ LUÍS COSTA

Com quase três meses de atraso, a Polícia Civil promete inaugurar até o final do ano 14 novas repartições para atuar exclusivamente na repressão aos assassinatos no Rio Grande do Sul. Chamadas de Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as unidades serão instaladas nas 11 cidades que concentram 65% dos assassinatos no Estado (veja quadro), em prédios onde atualmente funcionam delegacias de bairros.

Em Porto Alegre, as DHPPs estarão nas regiões dos bairros Medianeira (onde é a 5ª DP), Sarandi (12ª DP), Partenon (23ª DP) e Anchieta (24ª DP), com atuação dividida por regiões da cidade.

Com as quatro novas estruturas, o número de delegacias especializadas em investigar homicídios na Capital sobe para seis, pois já existem duas no Palácio da Polícia Civil. A partir das inaugurações em Porto Alegre, as atuais delegacias passam a se dedicar prioritariamente aos casos de homicídios já ocorridos e ainda não solucionados. Há um estoque de 1,3 mil inquéritos à espera de elucidação. Além disso, os agentes ainda têm de atender a cerca de 1,7 mil pedidos do Ministério Público de ampliação de investigações de inquéritos já remetidos à Justiça. A Chefia de Polícia estima que este trabalho se estenderá por quase um ano.

Conforme o chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Junior, a demora em instalar as novas delegacias se deve a entraves administrativos, típicos do serviço público. Embora não fale sobre o assunto, Ranolfo também enfrentou resistências internas para colocar o projeto em prática – prometido pela Secretaria da Segurança Pública desde o começo do ano passado. Um dos empecilhos foi a indefinição quanto à delegacia para atender à Zona Sul – deveria ser a 6ª DP, no bairro Tristeza, mas acabou sendo alterada para a 5ª DP.

A ampliação das DHPPs visa a reduzir os homicídios no Estado. Em relação a 2011, o número de assassinatos é 17% maior, embora dados de setembro, outubro e novembro (ainda não divulgados oficialmente) mostrem uma curva descendente nos casos.

Força-tarefa ajudou a esclarecer 71% dos casos

Para Ranolfo, a queda de crimes nos últimos três meses é fruto, em parte, da uma força-tarefa da corporação, que, em seis meses, esclareceu 71% dos casos em nove dos 11 municípios gaúchos mais violentos.

As delegacias de Porto Alegre estarão subordinadas a um novo departamento de Polícia Civil que será criado por portaria a ser assinada nos próximos dias pelo governador Tarso Genro. O departamento ocupará o espaço do atual Departamento de Trânsito da corporação, abrangendo as delegacias de delitos e de homicídios de trânsito. O diretor será o delegado Odival Soares.