ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PC RS DEFLAGROU 314 OPERAÇÕES EM 2012

ZERO HORA 11/12/2012 | 07h49

Ofensiva contra o crime. Polícia Civil deflagrou 314 operações em 2012

Denominadas "repressão qualificada", ações como a Pax, realizada na segunda-feira contra traficantes da Capital, ocorrem num ritmo de quase uma por dia



Novo helicóptero da Polícia Civil estreou em ação contra traficantes na CapitalFoto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS


Às 4h de ontem, 470 agentes se reuniram no pátio do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), no bairro Navegantes, para um ritual que se repetiu pela 314ª vez no Estado em 2012 — quase uma por dia, em média.

O grupo ouviu instruções do delegado Mário Souza, recebeu envelopes com ordens de prisão e apreensão, mapas e fotos e cruzou Porto Alegre em direção à Lomba do Pinheiro, à procura de traficantes de drogas que agem em uma das quatro áreas atendidas pelo projeto Território da Paz. O helicóptero da Polícia Civil sobrevoou o bairro, estreando no apoio aéreo aos agentes em terra.

Chamada de Operação Pax (paz em latim), a ofensiva faz parte de uma das metas da política de segurança pública adotada a partir de 2011, e que vem sendo vitaminada este ano.

Classificada pelas autoridades de "repressão qualificada", a estratégia tem por objetivo reprimir o crime organizado de grande impacto social e prender, em uma tacada só, os bandidos que mais atormentam as comunidades.

— Em caso de quadrilha de ladrões de veículo, a ideia é pegar o assaltante que roubou o carro, o mecânico que adulterou o chassi, o estelionatário que falsificou os documentos e o receptador que ficou com o automóvel — explica o chefe de Polícia, Ranolfo Viera Junior, um dos idealizadores desse tipo de prática na corporação.

É a mesma tática consolidada há mais de uma década pela Polícia Federal e que vem sendo empregada pela Polícia Civil dos maiores Estados. Durante meses, um grupo de policiais em delegacias, no máximo sete agentes, se debruça na missão de coletar testemunhos, filmagens, fotos, escutas telefônicas, entre outros elementos contra quadrilhas.

Em alguns casos, no decorrer das investigação, até ocorre uma ou outra prisão em flagrante, mas o objetivo principal é sempre capturar o máximo possível de envolvidos na organização criminosa. Quando o conjunto de indícios e provas é considerado robusto o suficiente para mandar para cadeia os criminosos, são solicitadas ordens de prisão e de busca e apreensão, em geral, atendidas de pronto pela Justiça. A partir daí, são convocados agentes de outras delegacias e até de outras cidades para, ao amanhecer do dia seguinte, deflagrar a operação.

GALERIA DE FOTOS: veja mais imagens da Operação Pax

A Operação Pax consumiu um ano de investigação, e sua execução ontem resultou na prisão de 16 suspeitos (outras 11 pessoas já tinham sido capturadas anteriormente). Foram policiais demais para o número de presos no final da ofensiva? Não, na avaliação de Ranolfo.

— O delegado responsável pela investigação avalia os riscos. Em uma casa onde moram criminosos perigosos, ele pode escalar 10, 15 agentes para fazer o cerco. Não se sabe quantas pessoas podem estar lá dentro — explica.

De acordo com Ranolfo, a presença em massa de policiais em operações também é uma forma de transmitir segurança, "mostrando que o Estado tem poder sobre o crime".

*Colaborou Francisco Amorim



O ritual de uma grande operação


SEMANAS ANTES...

A decisão
– As operações com grande contingente são recomendadas quando uma investigação aponta para a desarticulação de grupos ligados ao crime organizado.

– O número de agentes envolvidos é decidido entre o delegado à frente da investigação e o diretor do departamento ou delegacia regional ao qual está vinculado.

– Para mensurar o número de agentes envolvidos é levado em consideração o grau de periculosidade dos suspeitos investigados e o número de mandados de busca e apreensão e de prisão concedidos pela Justiça.

O agendamento da operação
– A escolha da data depende de dois fatores: disponibilidade de agentes e movimentação dos suspeitos

– Ações com mais de cem agentes são comunicadas à Chefia de Polícia e ao setor de inteligência. A intenção é organizar a distribuição do efetivo e evitar o acúmulo de operações em um mesmo dia, desfalcando assim o trabalho nas delegacias.

– A escolha final do dia da operação fica a cargo do delegado à frente da investigação. Ela é tomada a partir da rotina dos suspeitos e da atividade criminosa que pode envolver transporte de armas, veículos roubados e drogas.

ÀS VÉSPERAS...

A preparação da ação
– A equipe responsável à frente da investigação também é responsável pelo levantamento dos locais onde serão cumpridos os mandados.

– Além de fotografar os locais nos dias que antecedem a ação, eles ainda preparam uma ficha de cada suspeito, com fotos, que será colocada em um envelope com o mandado a ser cumprido. Os envelopes só serão entregues momentos antes da operação.

– Enquanto agentes preparam a parte operacional da ação, fica a cargo da direção de departamento o recrutamento de outros policiais para a ação. Geralmente são empregados policiais da região onde ocorrerá a operação. A movimentação, por vezes, ocorre na noite anterior quando o efetivo se desloca de um ponto do Estado para outro.

NO DIA...

A preleção (briefing)


Foto: Ronaldo Bernardi, Agência RBS

– A reunião de policiais ocorre no final da madrugada, entre 4h e 5h, geralmente, na sede do departamento (ou delegacia regional) onde ocorreu a investigação.

– Apenas na preleção é informado aos policiais o alvo da operação. Cada equipe entre três e cinco policiais recebe um envelope com as informações sobre o mandado que deverá cumprir.

– Geralmente, os mandados contra os líderes da quadrilha ficam com os agentes que estão à frente da investigação.

– Em alguns casos a imprensa é informada da operação, sem que os detalhes sejam revelados para evitar vazamento. As equipes podem acompanhar o trabalho policial. Levantamento final.

– Depois de cumprir o seu mandado, a equipe retorna ao local onde ocorreu a preleção para entregar o material apreendido e repassar a custódia do suspeito preso, se for o caso.

– O material apreendido é catalogado. Parte das provas é guardada para análise da equipe de investigação na própria delegacia.

– Computadores e drogas, no entanto, são encaminhados para análise de peritos do Instituto-geral de Perícias.

– Após contabilizar os resultados da prisão, uma coletiva de imprensa é dada para relatar os detalhes da investigação.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parabéns à Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul. Pena que todo este esforço que envolve planejamento, motivação, inúmeros agentes, várias viaturas, custo de dinheiro público, risco de morte e estresse não é compensado no Sistema de Justiça onde as coisas são morosas, distantes, negligenciadas e descompromissadas com a paz social.  A polícia brasileira parece sofrer a pena dada à Sísifo, num trabalho inútil diante de uma bandidagem que fica impune e livre pelas benevolências, vendo o crescimento das ondas de criminalidade, cada vez mais letais e com requintes de crueldade, ousadia e terrorismo.