ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A UNIÃO DO COMANDO VERMELHO E AZUL

ZERO HORA 05 de dezembro de 2012 | N° 17274

SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi

A mais antiga e poderosa facção dos presídios do Rio, o Comando Vermelho, também sempre teve fama de ser a mais avessa a arreglos (acertos) com policiais.

O CV nasceu nas cadeias com a intenção de proteger os detentos da violência de seus inimigos ou dos agentes penitenciários. Com o tempo, a organização ultrapassou os muros dos presídios, ganhou as favelas e dominou o varejo do crime no Rio de Janeiro. Não só com tráfico, mas também assaltos de todo o tipo.

Os cariocas, sempre brincalhões, dizem que, além das três facções de criminosos mais conhecidas – o CV, o Amigos dos Amigos (ADA) e o Terceiro Comando (TC) – eles convivem com uma quarta, o Comando Azul. Na realidade, apelido que dão para a “banda podre” da PM daquele Estado, que usa uniformes azuis. É provável que seja uma fama injusta, já que muitos policiais não compactuam com o crime.

Mas ontem a população fluminense teve mostras de que o CV e o chamado Comando Azul formado por policiais agiu unido na Baixada Fluminense. Investigações apontam que o valor da propina variava de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil por semana, para alguns policiais – quase o salário do mês.

Ou seja, no Rio o pior dos pesadelos para o administrador da segurança pública se concretizou: policiais recebendo fixo para NÃO reprimir o crime. E que crime: o CV patrocina há décadas barbarismos que incluem degola e incineração de suspeitos vivos, entre eles o jornalista da Rede Globo Tim Lopes. É por fatos como esse que essa parceria da farda com o crime não pode ficar impune.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Quanto maior e mais intensa a desvalorização, a discriminação e o descaso da profissão policial e das pessoas dos policiais, mais fácil será o aliciamento do crime organizado que precisa de uma mão do Estado para assegurar seus negócios. Começa nos baixos e injustos salários que obrigam ao policial procurar um bico em locais não apropriados e com pessoas de idoneidade suspeita. A polícia é o elo mais fraco e mais barato do sistema.