ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

BATALHÃO DO CRIME

ZERO HORA 05 de dezembro de 2012 | N° 17274

Operação prende 61 PMs ligados ao tráfico no Rio. Policiais militares são suspeitos de negociar armas e drogas, extorquir bandidos e torturar criminosos


Uma megaoperação conjunta do Ministério Público e das polícias Federal e Militar prendeu ontem, no Rio, 61 policiais militares suspeitos de extorsão, sequestro, tortura, homicídios e associação com o tráfico. Eles supostamente cobravam propina da principal facção criminosa do Estado, o Comando Vermelho, e movimentar R$ 150 mil por mês.

A operação provocou o afastamento do tenente-coronel Claudio de Lucas Lima, comandante do 15º Batalhão de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O grupo foi flagrado negociando vendas de armas e drogas para os traficantes. As interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, indicam que o grupo pretendia vender fuzis por R$ 45 mil e um lote de 50 pistolas. As gravações também mencionam o transporte de meia tonelada de maconha para o Rio e o depósito de propinas em valores que vão de R$ 1,4 mil a R$ 500 mil. Em alguns casos, as propinas eram entregues nos Destacamentos de Policiamento Ostensivo (DPO) que funcionam em favelas.

Policiais podem ser expulsos da corporação em 30 dias

Outras 11 pessoas, entre elas um juiz aposentado, também foram presos suspeitos de intermediar venda de drogas e armas no Rio. Quatro policiais e oito civis ainda estão foragidos. Os detidos foram levados para o presídio de Bangu e os policiais devem ser expulsos em até 30 dias. Nenhum oficial foi preso, apesar de serem citados por codinomes nas escutas telefônicas. Para a promotoria, não há elementos para indiciamento.

– Pela quantidade de policiais envolvidos, não estava ocorrendo fiscalização para que não ocorresse esse fato. Se ele não procurou saber, errou – afirmou o comandante da PM, Erir Ribeiro.

Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, a operação representa um “marco” na história da polícia fluminense.

– Não há instituição pública que tenha legitimidade junto à sociedade sem que seja capaz de cortar a própria carne – complementou.

De acordo com os promotores, quando o pagamento de propina atrasava, os policiais sequestravam familiares como forma de pressão. Também apreendiam veículos e bens para chantagear os traficantes.


Ofensiva contra a banda podre

A OPERAÇÃO - Considerada a maior operação já feita no Rio, o cerco reuniu mil agentes de segurança comandados pela Polícia Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio.

OS MANDADOS - Foram cumpridos 112 mandados de busca e apreensão nas comunidades, nas residências e nos batalhões.

OS PRESOS - 61 PMs

OS CRIMES - Os policiais são suspeitos de negociar a venda de armas e drogas para os traficantes, realizar sequestros, extorquir e torturar criminosos.

ONDE ATUAVAM - Os policias, todos lotados no 15º BPM, agiam na favela Vai quem quer, em Duque de Caxias, mas outras 12 comunidades também foram monitoradas.

AUTOS DE RESISTÊNCIA - Um dos PMs tinha mais de 40 homicídios registrados como “autos de resistência”. Autos de resistência é como são definidas mortes de suspeitos em confronto com as polícias.