ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 1 de dezembro de 2012

ESCUTAS MOSTRAM PCC PLANEJANDO EXECUÇÃO DE PM



Escutas mostram criminosos do PCC planejando execução de policial militar. Em ligações obtidas pela polícia, homens do crime organizado discutem o crime contra o PM Flavio Adriano do Carmo, de 45 anos, morto com dois tiros de fuzil em 13 de outubro

William Cardoso, de O Estado de S.Paulo. 01/12/2012

A 5ª Delegacia do Patrimônio (roubo a banco), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), acompanhou integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), por escutas telefônicas, planejando a execução do policial militar Flavio Adriano do Carmo, de 45 anos, morto com dois tiros de fuzil em 13 de outubro, em frente a uma padaria no Parque Santo Antonio, na zona sul de São Paulo.
No meio da tarde, um criminoso identificado como Chaveiro fala com Cacha, um comparsa, sobre as dúvidas a respeito da identificação do alvo - se seria ele mesmo o PM a ser morto.
Chaveiro: E aí, criança, o Bico (PM) está aqui, mas não sabemos se é ele... tem que ver um cara conhecido... Ele parece, cabelo grisalho, de lado, meio quadradinho...
Cacha: É coroa?
Chaveiro: É... entendeu?... a Blazer está aqui, é o seguinte... tem uma base (PM) aqui na padaria...
Cacha: A caminhada é a seguinte... Eu vou ligar pro Japa... aqui pra ver...
Chaveiro: Liga pro Japa irmão, que nós vamos voltar para a quebrada... nós já passamos uma vez... tá eu e o Dugui aqui, nós vamos para a quebrada...porque o "Cigano" está esperando ali... vamos voltar aqui de novo com o Adidas...aí é o ultimo...aí nós vamos ficar na bala ali, que é hoje...
Durante a tarde, eles comentam sobre a atuação da polícia nas proximidades do local do ataque. Também combinam o momento de se encontrar e quais armas deveriam levar para a empreitada.
Chaveiro: Ô irmão... deixa eu falar uma caminhada... nós estamos todos aqui, tá ligado irmão?... naquela cantoneira lá...
Cacha: Qual do Dugui?
Chaveiro: É ... do Dugui não, na nossa...só que é o seguinte, eu fui lá...nós trombamos lá a Blazer verde, com um Bico semelhante ao Bico lá, mas não tinha o cabelo...não era muito coroa...
Cacha: Deixa eu falar uma caminhada...Eu vou ligar pro Brou lá que...
Chaveiro: As ideias é essa, nós não sabemos que é o Bico, entendeu?
Cacha: Eu vou ligar pra ele agora, espera aí...
Chaveiro: Já passa lá que nós encostamos lá... foi eu, o Cigano, o Adidas e o Dugui, nós estamos todos lá agora, voltamos agora...sabe por quê?...os caras (PM) tão enquadrando todo mundo que desce ou sobe lá...cheio de Rocam (policiais de moto) e a base lá (base móvel da PM)... o pessoal veio de moto lá agora, o Adidas e o Cigano...entendeu irmão?
Cacha: Entendeu
Chaveiro: Você liga lá no "Japa" e vê esta bala lá irmão.
Cacha: Firmeza.
Por fim, após a morte do PM, o líder do bando, Leandro Rafael Pereira da Silva, o Léo Gordão, de 28 anos, diz para um comparsa: "Já era... tudo tranquilo".
Léo Gordão: Aí...amanhã eu passo o número novo...já era...tudo tranquilo.
Cacha: ...é nós então.
Prisão. Em 14 de novembro, Léo Gordão foi preso pelo Deic. Além de Carmo, ele também é acusado de matar outro PM, Renato Ferreira da Silva Santos.
Um dos integrantes de sua quadrilha, Wellington Viana Alves, o Baré, de 32, também foi detido. A polícia procura agora as demais pessoas citadas durante as escutas que mostram como foi planejada a morte do PM.