ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

POLÍCIA RODOVIÁRIA E SEGURANÇA NO TRÂNSITO

ZERO HORA 12 de setembro de 2012 | N° 17190.ARTIGOS

BETO ALBUQUERQUE*

O principal modo de transporte no Brasil é o rodoviário, respondendo por mais de 58% do volume de movimentação nacional de cargas, e 48% do transporte interestadual de passageiros. Sendo, portanto, um país rodoviarista, é desnecessário dizer que é muito importante para a sociedade que os governos invistam nas suas polícias rodoviárias. Não é preciso destacar o papel decisivo que estas polícias desenvolvem no combate ao roubo de cargas, tráfico de drogas e, em especial, na prevenção dos acidentes de trânsito.

Todos os dias, morrem cerca de cem brasileiros no trânsito! A cada ano, temos, aproximadamente, 40 mil mortes. Uma tragédia sem comparações, maior do que as piores guerras. Claro, metade das vítimas morre nas ruas e avenidas das cidades, onde atropelamentos, acidentes com motociclistas e bebedeira no volante se destacam como patrocinadores das tragédias. Por isso, as operações de fiscalização, como a Balada Segura, são fundamentais.

Mas, nas nossas rodovias, a imprudência e o crime campeiam! Alta velocidade, ultrapassagens em locais proibidos e uso de bebidas alcoólicas, entre outras drogas, formam um tripé decisivo para a perda de tantas vidas. O Brasil paga muito caro por tudo isso!

As perdas econômicas e as vidas ceifadas precocemente, que não têm preço, se multiplicam, sem falar das aposentadorias por invalidez que inflam o déficit previdenciário no país, e gastos bilionários em internações hospitalares. A estimativa é de R$ 25 bilhões/ano, os gastos no Brasil com a carnificina no trânsito. Se somarmos a isto os prejuízos do roubo de carros e cargas, vamos a números estratosféricos.

Por tudo isso, fica muito difícil entender o descaso dos governos com as polícias rodoviárias, tanto no baixo efetivo policial quanto na falta de estrutura, investimento em qualificação e nos baixos salários. O efetivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no país é composto por menos de 9 mil agentes. No nosso Estado, ele é constituído por somente 685, sendo que o ideal seriam 1.576 policiais rodoviários em atuação. Segundo o Sindicato da Polícia Rodoviária Federal do RS, é o menor efetivo dos últimos 16 anos.

O número insuficiente de policiais nas estradas e a pouca valorização destes profissionais são uma injeção na veia do crime e da imprudência. No momento em que se discute no Congresso Nacional a fixação de metas anuais visando à redução de mortes no trânsito, além do aumento das penas dos crimes de trânsito, cresce em importância a atuação e qualificação das polícias rodoviárias. A impunidade no trânsito e os crimes nas nossas estradas só serão combatidos com fiscalização permanente e abordagem presencial dos policiais.

*Secretário de Infraestrutura e Logística do RS