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domingo, 2 de setembro de 2012

FALTA DE EFETIVO POLICIAL É UMA DAS RAZÕES DOS ATAQUES COM EXPLOSIVOS

 
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/infografico/ataques-com-explosivos-no-rs-35780.html

ZERO HORA. Bancos na mira - 02/09/2012 | 06h24

Falta de segurança e de efetivo policial está entre as razões para o aumento de ataques com explosivos. Polícia acredita que três bandos sejam os responsáveis pelas 15 explosões de 2012

Francisco Amorim

Um em cada dois ataques a banco no Estado em 2012 foi executado com o uso de explosivo. A polícia acredita que três bandos sejam os responsáveis pelas 15 explosões. São quadrilhas formadas por gaúchos, que aprenderam a manusear as bananas de C3, utilizado geralmente por mineradoras.

O que está por trás da ofensiva que, embora seja menor do que nos vizinhos Santa Catarina e Paraná, é igualmente preocupante? Por que essa modalidade de ataque se tornou rotina em solo gaúcho? ZH ouviu delegados, oficiais da BM, representantes de bancos e seus funcionários. Das entrevistas, algumas delas sob a condição do anonimato, surge uma constatação: os ataques proliferam no esteio de uma combinação de cinco falhas. Entre elas, sistemas de segurança defasados, falta de efetivo policial e descontrole sobre explosivos:

Agências bancárias com pouca segurança

Falhas no funcionamento das câmeras de segurança em agências do Interior e ausência de dispositivos em cofres e caixas eletrônicos que marquem ou danifiquem as cédulas em arrombamentos são apontadas como fatores que atraem bandidos que usam explosivos. Em cerca de 80% dos assaltos deste ano, não existem imagens da ação dos bandidos no interior da agência. A informação é do delegado titular da Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Juliano Ferreira.

— A qualidade das imagens, quando conseguimos ter acesso, é muito ruim. A questão é que a resolução das imagens é baixa ou o ângulo da câmera inviabiliza a identificação dos criminosos. Em apenas 5% dos casos, eu estimo, temos uma gravação que nos permite a identificação dos integrantes da quadrilha — explica Ferreira.

Outro problema é que muitos bancos armazenam as imagens em computadores instalados na própria agência. Ou seja: basta os ladrões levarem a CPU para garantirem o anonimato. Para o delegado, os ataques com explosivos não devem cessar enquanto os bandidos conseguirem sair com dinheiro:

— É um tipo de ataque que se disseminou entre as quadrilhas. Não só aqui, mas em todo o Brasil. Só quando não conseguirem mais levar dinheiro é que vão abandonar a prática. Para isso, os bancos têm de investir em dispositivos mais modernos, como as guilhotinas que destroem as cédulas.

Para reforçar a segurança nas agências, uma comissão temática de segurança bancária, sob coordenação do secretário-adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro, discute agora um rol de novas regras — como a instalação de câmeras com visão noturna pelos bancos nas agências — que será apresentado à Assembleia Legislativa por meio de um projeto de lei.

Procurada por Zero Hora, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) se manifestou por meio de nota. No documento, a entidade ressaltou que as instituições financeiras brasileiras investiram, só no ano passado, R$ 8,3 bilhões em segurança. Em relação a falhas apontados no monitoramento eletrônico, a Febraban se limitou a dizer que "os estabelecimentos bancários são obrigados (por determinação de legislação federal) a submeter à Polícia Federal um plano de segurança para que possam funcionar. (...) Observando-se o que é exigido pela legislação, cada instituição financeira determina os padrões de segurança para suas agências de acordo com as características de sua rede de agências".

Efetivo policial insuficiente

Ao eleger pequenas cidades como alvo, as quadrilhas buscam um menor poder de reação da Brigada Militar e da Polícia Civil do que encontrariam na Região Metropolitana, onde forças policiais conseguem se articular com maior facilidade.

Em pelo menos oito investidas, o efetivo da BM na cidade era inferior a 25 homens. Em três delas, onde a população é inferior a 10 mil habitantes, o efetivo não ultrapassa 10 PMs. Supondo três turnos de oito horas, quatro homens armados já teriam supremacia numérica durante um eventual confronto.

Para enfrentar a escassez de pessoal, o Comando-geral da Brigada Militar tenta investir no trabalho preventivo, com reforço das equipes do serviço de inteligência dos batalhões localizados no Interior. A corporação também pretende aumentar o número de ações especiais no Estado. PMs do Batalhão de Operações Especiais, instalado em Porto Alegre, devem se unir a colegas do Interior em áreas de maior vulnerabilidade, como cidades pequenas no entorno de centros regionais.

Plano de ação desarticulado

Embora a troca de informações seja constante entre BM e Polícia Civil, a contraofensiva não é integrada. Logo após as investidas noturnas dos assaltantes, as barreiras nos acessos às cidades atacadas são cada vez mais raras. Apesar de enfrentar PMs em pelo menos metade dos ataques, os bandidos conseguiram fugir em rotas que combinam estradas vicinais e vias asfaltadas. Depois do primeiro embate, com guarnições locais, essas assaltantes parecem livres de uma segunda investida policial.

— Há uns dois anos, quando me deslocava para uma cena de crime no Interior, não era raro ser abordado em uma barreira no caminho. Agora, não ocorre mais isso — disse um policial civil que pediu para não ser identificado.

Outro problema é a carência de agentes da Polícia Civil para a investigação. Apesar de o número não ser divulgado oficialmente, ZH apurou que apenas 10 policiais seguem os passos dos bandos mais violentos do Estado.

Sem alarme direto na BM

Para assegurar uma rápida resposta da Brigada, os alarmes das agências soavam diretamente nas salas de operações de batalhões e nos postos da corporação. Há pouco mais de dois anos, o sistema foi desconectado na maior parte do Estado. Agora, o dispositivo aciona uma central de segurança, que então entra em contato com as guarnições locais da BM.

— Perdemos tempo de reação com isso — afirma o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sérgio de Abreu.

Os minutos a mais entre a invasão do banco e o acionamento de PMs servem como estímulo aos bandidos, na visão de Lúcio Mauro Paz, diretor jurídico do Sindicato dos Bancários:

— Combinado à falta de efetivo, soa como convite para assaltar no Interior. E é importante pensar que um ataque com explosivo coloca em risco toda uma comunidade.

Apesar de a BM não falar oficialmente, a decisão dos bancos pode ter sido motivada por multas impostas pela corporação, em torno de R$ 1 mil, para cada alarme falso.

Descontrole dos explosivos

Apesar de a operação Ágata 5, deflagrada pelas Forças Armadas, ter apreendido 11,7 toneladas de dinamite em 14 dias no Brasil em agosto, o uso de explosivos por assaltantes continua a preocupar as autoridades da Segurança Pública em todo o país. No Rio Grande do Sul, onde a ação do Exército, com apoio da Polícia Federal, localizou 150 quilos de material explosivo irregular em Ametista do Sul e Frederico Westphalen, as quadrilhas têm utilizado cerca de 250 gramas — cerca de um quarto do peso total de uma banana de C3 — para mandar pelos ares agências inteiras.

As pistas sobre a origem dos explosivos não levam à fronteira, mas ao paiol de mineradoras. Em nota, o Comando Militar do Sul informa que as atividades envolvendo fabricação, importação, exportação, armazenamento, comércio e uso de explosivos são monitoradas pelo Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados:

"O controle é feito através de inspeções inopinadas (inesperadas), quando é averiguada a correspondência entre os dados fornecidos por pessoas físicas ou jurídicas e a existência real dos explosivos".

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - As principais razões não foram mencionadas por Zero Hora: a morosidade da justiça e as leis brandas para este tipo de crime. O uso de explosivos para cometer delitos colocando em risco a vida da população deveria ser considerado ato de terrorismo. Exige  medidas rigorosas com relatório policial imediato, audiência em 72 horas após a prisão, processo e julgamento céleres e penas altas sem direito a quaisquer benefícios antes de cumprir 5/6 dela.  O mesmo deveria ser para aqueles bandidos que usam armas de guerra como fuzil e metralhadoras de combate. A solução começa pela ordem e justiça, a polícia é uma peça auxiliar, e a falta de efetivos uma razão muito pequena em relação ao contexto.