ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

EXECUÇÃO NO LITORAL

ZERO HORA 31 de janeiro de 2014 | N° 17690


CARLOS WAGNER E EDUARDO ROSA


ATLÂNTIDA. Polícia busca suspeitos de execução no Litoral. Na quarta-feira, dois homens participaram da ação na Avenida Paraguassu


A polícia tem pistas sobre os suspeitos de terem realizado os disparos que mataram Maicon Daniel Leite, 29 anos, no anoitecer de quarta-feira, na Avenida Paraguassu, em Atlântida, no Litoral Norte. Dois homens desceram de uma Palio Weekend vermelha e dispararam mais de 40 tiros de pistola e submetralhadora, sendo que 24 projéteis atingiram a vítima.

Leite foi surpreendido pelos atiradores. Sem antecedentes criminais, ele estava armado no momento em que foi alvejado – possuía porte de arma –, mas não conseguiu reagir. No momento do ataque, a vítima conversava com um homem diante de um caminhão, após ter estacionado seu Golf prata. Socorrido, morreu a caminho do hospital. O homem com quem ele conversava e um adolescente ficaram feridos por balas perdidas, e, após medicados, foram liberados.

Maicon Leite morava em Capão da Canoa e tinha um pequeno negócio de reciclagem de lixo. Também trabalhou na Associação dos Agentes Ecológicos, que fica junto à usina de reciclagem. ZH circulou pela região onde aconteceu o crime, mas ninguém afirmou conhecer a vítima. No local indicado como sendo a antiga reciclagem de lixo dele, há um prédio comercial – nas redondezas, não foi encontrado nenhum conhecido de Leite.

– Acreditamos que o motivo do crime seja o tráfico de drogas. Estamos ouvindo várias pessoas, testemunhas e familiares, para termos um quadro mais preciso sobre o episódio – disse o delegado João Henrique Gomes, titular da Delegacia de Polícia de Xangri-lá, que conduzirá a investigação.

O delegado não entra em detalhes sobre a apuração, que é considerada prioridade na delegacia. Mas o pano de fundo do episódio é outra execução, ocorrida no final do ano passado, em Imbé, balneário que fica a 22 quilômetros de Capão da Canoa. Na época, Elisandro de Souza Silva, 31 anos, conhecido como Padaria, foi executado com vários tiros. Ele estava acompanhado por Rodrigo Laurindo, o Papagaio, que também morreu.

Nas delegacias de Tramandaí, Imbé e Capão da Canoa, há inquéritos policiais que apuram o envolvimento de Padaria com homicídios e tráfico de drogas na região. As balas contra Leite seriam a ponta do iceberg.