ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A VIDA DO POLICIAL PODE SER UM FILME


ZERO HORA 28 de janeiro de 2014 | N° 17687

MARCELO PERRONE


AGENTES PRESOS



O corajoso trabalho corpo a corpo do policial na linha de frente ganha doses extras de adrenalina, suspense e tensão quando o profissional atua infiltrado dentro de um grupo criminoso ou em uma proximidade junto aos marginais que esticam os limites legais e éticos do ofício. São situações por demais interessantes para serem exploradas no cinema.

A tentação do dinheiro fácil que brota na atividade ilegal e os vínculos formados no outro balcão podem levar a um caminho sem volta. É o caso do personagem que valeu a Denzel Washington o seu segundo Oscar de melhor ator, em Dia de Treinamento (2001). Ele vive Alonzo Harris, detetive do departamento de narcóticos da polícia de Los Angeles corrompido em sua lida diária junto a traficantes de baixo e alto escalão, rotina que inclui desvio de drogas, mascaramento de evidências e violência contra desafetos.

A casa de Alonzo começa a cair quando ele recebe a incumbência de ser tutor de um jovem e idealista policial (vivido por Ethan Hawke) que vai acompanhá-lo em um dia de serviço. E existem trabalhos de infiltração tão bem-sucedidos que desencarnar do papel assumido torna-se um drama terrível, caso dos detetives da divisão de narcóticos interpretados por Jennifer Jason Leigh e Jason Patric em Rush – Uma Viagem ao Inferno (1991), que tornam-se viciados em drogas pesadas ao investigarem uma quadrilha de traficantes no Texas.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Vida de policial não é fácil. Não é a toa que uma das profissões mais estressantes do mundo. As jornadas são perigosas, as decisões são imediatas, as reações dependem do reflexo e as ações da intuição, prudência, perseverança, prática e controle emocional. É uma profissão que precisa de uma formação ética, treinamento apurado, perícia técnica e coragem para enfrentar o poder do crime tanto financeiro, como nos arsenais de guerra, leis próprias e domínio de comunidades. No submundo, as regras são outras, desconhecidas do mundo do mundo do direito, e é neste mundo que o policial trabalha e coloca a vida em risco para proteger a sociedade. Sem amparado das leis e segregados pela justiça criminal, os policiais brasileiros precisam criar alternativas e ficam vulneráveis aos erros.