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terça-feira, 9 de abril de 2013

DELEGADO TEM CARRO ALVEJADO EM ESTRADA

ZERO HORA 09 de abril de 2013 | N° 17397

POLÍCIA NA MIRA. Policial escapou da morte quando retornava para delegacia, em Tupanciretã



A Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) trabalha com três linhas de investigação para identificar os responsáveis pelo atentado contra o delegado Antonio Firmino de Freitas Neto, 50 anos, no final da noite de sexta-feira. O policial teve o carro alvejado por tiros, por volta das 23h, quando trafegava pela ERS-392, estrada que dá acesso à BR-158, em Tupanciretã.

Firmino conduzia um Prisma, que foi perseguido por outro veículo, e recebeu pelo menos três disparos na lataria, no lado do carona. O delegado perdeu o controle do veículo, saiu da pista e bateu em uma árvore. Ele foi socorrido e internado, com ferimentos leves e suspeita de traumatismo craniano. No sábado pela manhã, Firmino recebeu alta para se recuperar em casa.

O crime ocorreu horas depois de ter coordenado uma operação realizada em Santa Maria e que contou com a participação de 60 agentes. Na ação foram presos dois homens suspeitos de terem executado o taxista Hélio Pedro Kuhn, 61 anos, feito refém após o assalto a uma lotérica, em Tupanciretã, no dia 21 de março. O corpo da vítima foi achado 30 horas depois, em Quevedos. O atentado ocorreu quando o delegado retornava sozinho para Santa Maria, depois de coordenar o deslocamento dos suspeitos para o presídio de Júlio de Castilhos.

Em represália, viatura foi incendiada em Rosário

Conforme o delegado Sandro Meinerz, titular da Defrec e responsável pelo caso, as principais hipóteses são: ligação com a prisão dos suspeitos do assassinato do taxista, já que ele havia recebido ameaças na semana passada, ligação com casos envolvendo prisões antigas ligadas a roubos e tráfico de drogas em Tupanciretã e Quevedos ou, também, uma possível tentativa de assalto.

Na noite de 22 de setembro de 2012, uma viatura da Polícia Civil de Rosário do Sul foi incendiada quando estava estacionada no pátio da delegacia. Na época, a Polícia Civil afirmou que o crime seria uma represália de traficantes pelo trabalho de combate a este tipo de crime na cidade.

Dois meses antes do atentado, pelo menos 20 pessoas haviam sido presas por envolvimento com o tráfico de entorpecentes na região. Agentes de Santa Maria, Santana do Livramento e do Grupo de Operações Especiais (GOE) de Porto Alegre foram deslocados para o município para auxiliar na investigação do caso e ajudar na segurança de policiais. Informações extraoficiais dão conta de que a transferência da delegada Luisa Souza, que foi realocada em Santa Maria, foi feita por questões de segurança. Ela havia coordenado as ações de combate ao tráfico na cidade.


ENTREVISTA. “Dei oito tiros na direção deles”

Antônio Firmino Neto - Delegado da Polícia Civil



Na noite de domingo, após ter seu veículo alvejado na estrada, o delegado Antônio Firmino Neto conversou com a reportagem do Diário de Santa Maria. Na conversa, relata como escapou da morte . A seguir, trechos da entrevista:

Diário de Santa Maria – Como ocorreu o atentado?

Delegado Antônio Firmino Neto – Percebi uma luz forte atrás e o carro emparelhou do lado. Parecia que ia bater. Dei uma freada e foi uma língua de fogo. Fui tentar pegar a arma, no lado direito, no coldre e não saiu. Me abaixei para olhar e fiquei com a mão esquerda no volante, desequilibrou o carro, saí da pista e bati numa árvore. Saí pelo carona, meio tonto, me afastei um pouco do carro e ouvi uma conversa. Estavam atrás de mim, mas não conseguia enxergar. Olharam para dentro do carro e disseram: ele não está aqui. Vi uma luz de celular e dei oito tiros na direção deles.

Diário – O senhor chegou a ver alguém?

Firmino – Estava com um corte no indicador (dedo que puxa o gatilho) e não sei se acertei alguém. Eles correram e atiraram em mim de novo. Me joguei no mato e liguei para a minha mulher e disse: “tentaram me matar”.

Diário – O senhor acha que foi uma represália pelas prisões dos dois suspeitos de assassinato horas antes?

Firmino – Durante a semana, ligaram para a rádio e para a delegacia (de Tupanciretã) dizendo que se não parasse a investigação, iam matar o delegado. Mas também tinha chegado no Fórum informações de ameaças antigas de uma pessoa procurada por antigos roubos e homicídios em Tupanciretã, e em Quevedos que estaria na cidade para me matar.