ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 31 de maio de 2014

DE TREM PARA ATUAR EM MANIFESTAÇÃO

JORNAL EXTRA 30/05/14 21:13

PMs vão de trem de batalhão na Zona Oeste até o Centro do Rio para atuar em manifestação


Policiais militares lotam vagão de trem Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp
Luã Marinatto e Thais Carreiro


Se eu perder esse trem... a manifestação vai ficar sem policiais. Escalados para atuar no protesto contra a Copa do Mundo na noite desta sexta-feira, PMs tiveram ir de trem da Zona Oeste, onde um Batalhão de Campanha provisório está montado no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), até o Centro do Rio. Fotos dos policiais militares dividindo espaço com passageiros civis nos vagões e estações da SuperVia, fardados e prontos para entrar em ação, estão circulando pelas redes sociais e foram enviadas ao WhatsApp do EXTRA (21 99644-1263 e 99809-9952).

Policiais militares na estação de trem Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp



De acordo com os PMs, a locomoção via transporte público aconteceu porque a corporação não tinha viaturas suficientes. A PM, contudo, nega essa informação, e assegura que o procedimento é normal. De uma forma ou de outra, ainda segundo os policiais, apenas um ônibus, em várias viagens de ida e volta, foi usado para levá-los do CFAP, em Sulacap, até a estação de trem de Deodoro. De lá até a Central do Brasil, na média repassada pela SuperVia, um trajeto de 40 minutos, em vagões repletos de PMs — muitos deles obrigados a se manter de pé.

— Não deram nenhuma explicação oficial, só falaram que seria assim e pronto. Tem até oficial indo junto com a gente — contou um policial, no momento em que aguardava na plataforma, ao lado de outros colegas de farda, a chegada de um trem.

Policiais militares na estação Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp



O mesmo PM, que pediu anonimato por medo de sofrer represálias, contou que o transporte da tropa teve início por volta das 15h. Às 18h, quando ocorreu a conversa por telefone com o EXTRA, ainda havia policiais embarcando. Nas contas dele, pelo menos 300 homens locomoveram-se desta maneira.

— Normalmente, uma tropa deste tamanho seria levada de ônibus, no veículo da corporação. Nunca precisei pegar trem para trabalhar, até agora não entendemos o que aconteceu — afirmou o PM, acrescentando: — Mas não tem jeito, né. Se mandam, a gente tem que obedecer sem reclamar.

Policiais militares lotam vagão de trem Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp



A Polícia Militar, por sua vez, não informou quantos policiais utilizaram o trem. A corporação alegou, ainda, que a opção pelo transporte público se deu para evitar congestionamentos. Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela corporação:

“No dia-a-dia da Polícia Militar, é comum que os integrantes da corporação utilizem transportes públicos - ônibus, barcas, trem e metrô - principalmente quando realizam patrulhamento a pé. Armado e fardado o policial utiliza todos os meios de transporte públicos - inclusive quando atuando pelo Programa Estadual de Integração na Segurança (PROEIS). No caso dos policias do Batalhão de Campanha, optou-se pelo trem porque o deslocamento de ônibus seria prejudicado pelo trânsito naquele momento.”

Colaborou: Paolla Serra