ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

GREVE DA PM, SAQUES, HOMICÍDIOS E EXÉRCITO NA SEGURANÇA



FOLHA.COM 15/05/2014 11h37


'Vou manter a segurança, custe o que custar', diz governador de PE

CRISTINA CAMARGO



Em meio à paralisação dos policiais militares e de saques em diferentes pontos da Grande Recife, o governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB), afirmou nesta quinta-feira (15) que vai manter a ordem no Estado "custe o que custar". A afirmação foi feita durante entrevista de 15 minutos à Rádio Jornal, do Recife.

A menos de um mês da Copa, Lyra enfrenta uma greve da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Homens da Força Nacional de Segurança já estão na capital, e tropas do Exército devem desembarcar a qualquer momento.

Lyra disse que as negociações com os PMs foram feitas e não houve recusa ao diálogo por parte do governo. Para ele, alguns dos líderes grevistas quebraram acordo que havia sido feito com o governo durante a negociação.

Ainda durante a entrevista, o governador disse que, enquanto a paralisação persistir, o Exército e a Força Nacional vão comandar a segurança no Estado. "Lamento profundamente que pseudos líderes façam com que Pernambuco passe por essa situação", disse Lyra.

Na quarta-feira (14), Lyra Neto manteve a decisão de reajustar os salários dos PMs e bombeiros militares em 14,55% a partir de junho. Ele diz ser impossível conceder os reajustes de 50% para praças e 30% para oficiais, como querem os grevistas. O governador argumenta que a legislação eleitoral não permite a concessão de benefícios no período de 180 dias antes da eleição.

Pelo mesmo motivo, ele disse também que não pode conceder o reajuste no vale-refeição. A categoria exige aumento de de R$ 154 para R$ 500 no benefício. Segundo o governo de Pernambuco, as administrações de São Paulo e Bahia também concederam os reajustes antes do prazo estabelecido pela lei.

O governo pernambucano se comprometeu a atender outros pontos reivindicados como melhorias no hospital da PM, incorporação da gratificação por "atividade de risco operacional" ao salário, quando militar for para reserva, e ajustes dos critérios de promoção por meio de uma comissão formada por membros indicados pelos militares, representantes do Legislativo e do Executivo até 30 de julho.

Editoria de Arte/Folhapress



"PEDIDO DE AJUDA"

O governador de Pernambuco telefonou na quarta-feira (14) para seus colegas de São Paulo e da Bahia para entender como eles fizeram para por fim a paralisações de PMs em seus Estados. Lyra consultou Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Jaques Wagner (PT-BA). O governador paulista enfrentou ameaça de greve em outubro do ano passado e ofereceu reajuste de 7% para a categoria.

Já o governador baiano enfrentou três dias de greve em abril deste ano. A paralisação só terminou depois que o governo concedeu aumento da Gratificação por Condições Especiais de Trabalho (CET) dos praças na proporção de 25% para as funções administrativas, 45% para as operacionais, 65% para os motoristas e Regime de Tempo Integral (RTI) para os oficiais, com atualização da lei.

Na região metropolitana do Recife, ao menos sete homicídios ocorreram entre a noite de ontem e a madrugada desta quinta-feira (15) em um intervalo de sete horas. De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da capital pernambucana, os assassinatos ocorreram entre 18h de quarta e 1h de hoje, em locais diversos.

No mesmo período, uma onda de saques realizada na região resultou na detenção de ao menos oito adultos e três adolescentes. Um dia após a onda de arrastões e saques a lojas e caminhões em Abreu e Lima, na Grande Recife, as agências bancárias do município decidiram não abrir as portas nesta quinta. Estão fechadas agências de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Bradesco.

As agências bancárias ficam na BR-101 Norte, que cruza Abreu e Lima, a cerca de 500 metros do local onde ocorreu a maioria dos saques. A informação sobre o fechamento das agências foi dada à Folha pelos gerentes das agências. Nenhum deles, porém, quis dar entrevista.

Greve da PM em Pernambuco

Após saques na cidade, agências bancárias de Abreu e Lima (Grande Recife) fecharam as portas nesta quinta-feira (15), em meio à greve dos policiais militares do Estado

GREVE ILEGAL

A Justiça de Pernambuco já declarou ilegal a greve e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil para associações e movimentos militares.

"O governo continua aberto ao diálogo. Agora, antes de tudo, tenho a decisão e vou manter, custe o que custar, a segurança do povo pernambucano. Essa é a minha obrigação e o desejo do povo de Pernambuco", afirmou Lyra.