ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

OS ERROS E ACERTOS DOS POLICIAIS NOS PROTESTOS


 











ZERO HORA 19 de junho de 2013 | N° 17466

DAS RUAS AO DIVÃ

Enquanto a Brigada Militar tem agido só em última instância após o episódio do tatu-bola, em São Paulo e no Rio a truculência da PM vira mais uma causa para reclamar nas ruas



Gostem ou não os manifestantes, cabe às Polícias Militares a missão de evitar a depredação de patrimônio e o risco às pessoas. Como isso tem sido feito? A verdade é que não há termos de comparação entre a ação dos PMs em Porto Alegre e no eixo Rio-São Paulo, principais capitais envolvidas pelas manifestações.

Na capital gaúcha, a Brigada Militar tem agido conforme recomendam as táticas de contenção de distúrbio e, via de regra, com bom senso. Seguindo orientação do governador, perseguem apenas os manifestantes que depredam. Existem exceções, claro. No episódio do esvaziamento do tatu-bola (símbolo da Copa do Mundo), a repressão aos manifestantes foi muito maior do que o episódio que a desencadeou, acarretando críticas aos exageros policiais. De lá para cá, a BM age só em última instância, quando começa a depredação – antes, se limita a acompanhar os ativistas. Na noite de segunda-feira aconteceram alguns excessos pontuais, como manifestantes que foram detidos porque filmavam a passeata.

Esses dois fatos, apesar de condenáveis, nem se comparam com a truculência registrada em outras paragens. Em São Paulo os protestos cresceram – e muito – após a pancadaria generalizada comandada pela PM na semana passada, que bateu no que viu e no que não viu. Incluindo repórteres e comerciantes, devidamente identificados, que também levaram porrada e tiros com balas de borracha.

Talvez pior do que isso só o que aconteceu no Rio, segunda-feira: encurralados pelos manifestantes que invadiam a Assembleia Legislativa, PMs sacaram de suas armas de fogo e atiraram dezenas de vezes – com projéteis de verdade. Dispararam rajadas de fuzil e tiros de pistola em sequência, algumas vezes em direção aos manifestantes.

O que armas com projéteis de aço faziam num lugar de controle de tumulto? Por que a contenção dos ativistas não foi feita com balas de borracha, gás ou cassetetes, como é usual? Em Porto Alegre, PMs encurralados por vândalos estavam de pistola, mas não as usaram. Fato elogiado pelo governador.


Governo elogia Brigada Militar, mas apurará se houve excessos

Profissional e eficiente. Essa foi a avaliação feita pela cúpula da segurança pública do Estado da conduta da polícia durante a manifestação que se espalhou pelas ruas da Capital na noite de segunda-feira.

Apesar dos elogios à corporação pela forma como conduziu o episódio e se portou no confronto ocorrido, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Fábio Duarte Fernandes, garante que as informações envolvendo eventuais abusos que tenham sido cometidos por parte de policiais serão investigadas.

As autoridades também destacaram, em entrevista coletiva realizada na sede da Secretaria de Segurança Pública do Estado, na tarde de ontem, que a ação policial buscou respeitar a integridade física dos manifestantes, bem como deter condutas individuais de vandalismo e outras infrações.

De acordo com o chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Vieira Junior, 45 ativistas foram detidos. Entre os 10 adolescentes conduzidos até a delegacia, dois acabaram encaminhados posteriormente ao Ministério Público.

Para o secretário estadual de Segurança Pública, Airton Michels, a Brigada Militar conduziu os trabalhos de forma “extremamente correta, profissional e eficiente”. Ele ainda reforçou que as manifestações caracterizam uma nova forma de exercício político e que o vandalismo é cometido por uma minoria.

Conforme o coronel Fernandes, nenhum dos manifestantes detidos na segunda haviam sido levados à polícia na manifestação da quinta-feira passada. O comandante-geral da BM também garantiu que a polícia foi preparada tecnicamente e tinha como objetivo evitar confronto com os manifestantes.

– Dos 10 mil, poucos se feriram. Entre os feridos, não temos nenhuma notícia de casos mais graves. Isso demonstra a forma correta e acertada como a polícia interveio na operação. A nossa obrigação é preservar a vida – ressaltou o comandante da BM.

Dia de organizar e contar perdas

O dia seguinte ao protesto que terminou em confronto pelas ruas de Porto Alegre foi de limpeza, conserto e contagem de prejuízos.

Segundo a prefeitura, a compra de um ônibus para a Carris substituir o que foi incendiado custará em torno de R$ 750 mil. Outros quatro coletivos sofreram danos, cujo conserto sairá por cerca de R$ 6 mil cada. A administração ainda estima que 60 contêineres de coleta de lixo foram danificados ou incendiados. Alguns terão de ser descartados. Um novo coletor, em média, custa R$ 5 mil.

Ainda há prejuízo de cerca de R$ 20 mil à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), pela pichação e depredação de semáforos e placas de sinalização, além de equipamentos do guarda-corpo da ciclovia da Avenida Ipiranga.

Além de conferir as perdas, o dia de ontem foi de reorganização. Na loja da CEEE na Avenida Borges de Medeiros, foram sete vidraças quebradas, além de TV, impressora e painel de chamada. Persianas foram danificadas e seis monitores, roubados. A previsão é de retomar o serviço hoje.

No Departamento de Identificação do Instituto-Geral de Perícias (IGP), na Avenida Azenha, havia porta e vidraças quebradas, poltronas rasgadas, TV e computadores destruídos e pedras no chão. Câmeras fotográficas foram roubadas. O atendimento externo foi suspenso. Carteiras de identidade e atestados de antecedentes não foram fornecidos, mas a perícia de veículos não foi afetada.

Próximo ao Shopping João Pessoa, onde há obras do BRT (Bus Rapid Transit), duas máquinas tiveram vidros quebrados. Fitas e cones de isolamento estavam derrubados. Ontem, próximo ao Parque da Redenção, um mutirão com 15 garis limpava o lixo e as cinzas de contêineres queimados. Agentes da equipe de sinalização da EPTC substituíam placas danificadas na mesma região.

No Palácio da Justiça, próximo à Praça da Matriz, uma equipe avaliava perdas para providenciar o conserto das vidraças. Toda a entrada do prédio foi alvo de pedradas. Uma revendedora de motocicletas que fica na esquina entre as avenidas Ipiranga e Azenha teve perda total das vitrines – as que não foram totalmente estilhaçadas, foram pichadas ou têm marcas de pedras.

TAÍS SEIBT


R$ 1 milhão é o prejuízo estimado em análise preliminar dos danos causados durante o protesto de segunda-feira na Capital