ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O RISCO DA VALENTIA


ZERO HORA 24 de janeiro de 2013 | N° 17322

SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi


O que o soldado Fogaça, o policial civil Michel Vieira e os quatro PMs que tirotearam com bandidos em Cotiporã, no fim do ano, têm em comum? A coragem. Todos tentaram neutralizar ameaças contra eles e contra a coletividade, mostrando destemor. O problema nos três episódios é que a valentia não supera alguns erros técnicos de abordagem equívocos que, algumas vezes, levam à morte.

Michel e os quatro PMs envolvidos no tiroteio na Serra reagiram contra criminosos que estavam em vantagem, numérica ou pelo fator surpresa. No caso do policial civil, que sacou a arma contra um bandido já armado durante um assalto na Capital na terça-feira (e que tinha um parceiro na espera, não visto pelo agente), isso foi fatal. Ele morreu, mesmo tendo causado ferimentos num dos oponentes.

Em Cotiporã, os quatro policiais enfrentaram nove bandidos armados com fuzis. Dois PMs ficaram feridos e três bandidos mortos – um misto de audácia, perícia e sorte por parte dos agentes da lei. Por uma questão de lógica, poderia ter ocorrido o contrário e estaríamos, agora, lamentando a morte de pessoas que agiram em defesa da sociedade. No caso de ontem, o soldado Fogaça e outros quatro PMs procuravam oito traficantes do Campo da Tuca, sabidamente armados.

Ora, uma das regras mais antigas ensinadas nas academias policiais é a do “três por um”: o recomendado é que os policiais estejam em superioridade de três contra um, quando tentam prender alguém. Isso para que o próprio criminoso desista, ao saber que está em menor número.

Nesses três confrontos ocorridos em menos de um mês no Rio Grande do Sul e que abordo aqui, os policiais estavam em menor número. No caso do policial civil, nem de colete balístico estava, por ser horário de folga. Hora de reavaliar procedimentos.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O colunista se equivoca ao falar sobre "regras antigas nas academias policiais": a regra do "três por um"  só vale nas operações de contenção que são planejadas e envolvem efetivos sob comando. Nas ocorrências de inopino geralmente é "um por um" envolvendo policiais de folga, nos bicos e no policiamento a pé isolado; ou "dois por um" quando envolve uma guarnição motorizada ou dupla policial a pé chamados para uma ocorrência normal que pode se transformar em enfrentamento. Na emergência, o policial tem que se valer da coragem, da intuição, do diálogo, da energia e do que tem de preparo e instrumentação, pois a espera de reforços depende de permissão das circunstâncias envolvidas, especialmente quando a ocorrência evolui, é pego de surpresa, ou está de folga sem colete e até sem armas. A outra dificuldade dos policiais é o tempo mínimo de formação que impede melhor capacitação na prática de tiros e técnicas de imobilização.

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