ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CARREIRA POLICIAL ERA SONHO DE JOVEM



ZERO HORA 24 de janeiro de 2013 | N° 17322

MORTE EM ASSALTO

CARLOS GUILHERME FERREIRA

Sete disparos soterraram a precoce carreira de Michel Vieira, 23 anos, como policial civil. Filho único, tombou morto ao lado da mãe, Odete Bernardes Vieira, também assassinada no assalto à lancheria da família, terça-feira, na Capital.

A fatalidade impediu Michel de reunir os amigos para a tão esperada comemoração pela entrada na 3ª Delegacia de Homicídios, programada para a noite de ontem, em um pub na Padre Chagas. Ao contrário: abalados, eles tiveram de ir ao Cemitério Jardim da Paz para o duplo enterro no final da manhã. Depararam com os caixões de mãe e filho, cobertos de pétalas, lado a lado.

Quem se despediu do jovem conta que a tragédia veio em um momento de realização. Ex-militar, Michel integrou a turma 14 do concurso de 2012 da Academia de Polícia. Segundo colegas, seria o caçula da turma, mas isso em nada o prejudicaria. Dizia a todos estar certo da opção pela carreira policial. Gostava das aulas práticas e teóricas, entre Direito e lições de tiro, passando por técnicas de operações. Michel tinha vocação para policial, reiterou o instrutor Ramiro Silva.

Ele começou a trabalhar no último dia 10 e, segundo o delegado Leônidas Cavalcante, da 3ª Delegacia de Homicídios, tinha excelente futuro. Os poucos dias de atividades permitiram ao policial participar de investigações e visitar cenas de crime. De certa forma, viu o que acabaria acontecendo com ele e a mãe.

Apesar de ser brincalhão, de gostar de apelidos, de tocar flauta na rivalidade Gre-Nal – esteve na despedida do Olímpico e na inauguração da Arena do Grêmio –, sabia ser sério quando necessário. Apegado à mãe, focava na carreira muito por influência dela.

– Ele fazia tudo pela mãe e ela, por ele – lembra a madrinha, Neusa Silveira.

Isso incluía preparar lanches, fazer compras e atender clientes no negócio da mãe e do padrasto, Élgio da Cunha – a Lancheria do Alemão, na Avenida Antônio de Carvalho. Muito abalado, Cunha assistiu ao enterro da mulher e do jovem que criou como filho. Não o verá concretizar planos. Em vez disso, lembrará do grito de guerra de companheiros de Michel na Academia, reproduzido no cemitério:

– Força, energia e vibração pela instituição. Igual à 14, nunca serão.


Família já sofreu outros ataques

Antes de trabalhar na lancheria com o companheiro, Cunha, Odete Bernardes Vieira, 54 anos, passou por outras empresas. Na atual função, teve de conviver com assaltos. Em um deles, Cunha acabou baleado no joelho.

Apontado como autor dos tiros que mataram Michel e Odete, Charles Roberto de Souza Barbosa, 23 anos, morto na terça-feira, estava foragido desde 29 de novembro. Ele fugiu do Instituto Penal de Viamão, onde havia chegado 15 dias antes. Condenado a oito anos por tráfico de drogas, porte ilegal de arma e falsificação de documento público, cumpria pena no semiaberto.