ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ESTRUTURA PRECÁRIA AFETA DELEGACIAS

ZERO HORA 9 de janeiro de 2013 | N° 17307

REFORMA PARA PIOR

Estrutura precária afeta serviços em delegacias. Mesmo após obras, 3ª DPPA teve de deixar prédio onde funcionava na Capital


JOSÉ LUÍS COSTA

Dois meses após a reforma de uma antiga agência do Banrisul no bairro São João, em Porto Alegre, gastando R$ 480.456.80 para instalar duas delegacias da Polícia Civil, parte do prédio de 925m² teve de ser desocupada por problemas estruturais. Acomodando a 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (3ª DPPA) e a 4ª Delegacia da Polícia Civil (4ª DP), o local soma precariedades em dose dupla. Vítimas têm dificuldades de chegar por falta de estacionamento, e policiais não conseguem trabalhar por causa de condições inadequadas do ambiente.

Ontem, agentes da 3ª DPPA começaram a abandonar o imóvel, voltando para a sede anterior no bairro Navegantes. Para a mudança, um caminhão ocupou parte da calçada, interrompendo o trânsito de uma das três pistas na frente do prédio, na Avenida Benjamin Constant. Acessar o prédio, aliás, é um drama. Localizado em uma curva, sem área de estacionamento para visitantes, quem busca atendimento se obriga a parar o veículo em cima da calçada.

Se a vítima é idosa ou tem alguma deficiência motora pode utilizar um elevador, mas o equipamento, novinho em folha, ao que parece, é pouco usado. Ainda está envolto em plástico, e o portão de acesso, trancado. Mesmo que estivesse ligado, o elevador só sobe até o primeiro piso, onde estava a 3ª DPPA. Se o assunto for referente à 4ª DP, no segundo andar, os agentes precisam descer para falar com a vítima.

Um estacionamento lateral, reservado para viaturas da Brigada Militar e da 3ª DPPA, é acanhado. Caso chegue um guincho rebocando um carro, terá de ficar sobre a calçada. A área para as viaturas da 4ª DP é no subsolo e, quando chove forte, pode molhar os carros a meio metro de altura.

As repartições internas do prédio são divisórias envidraçadas, com privacidade mínima. Se uma vítima estiver em uma sala e o agressor dela, em outra, elas poderão se enxergar.

O prédio tem só uma chave de energia elétrica para os dois andares, obrigando que todas as lâmpadas fique ligadas ou desligadas ao mesmo tempo. Como o serviço da 3ª DPPA era de 24 horas, todas ficavam acesas. As instalações não comportam a carga de consumo e não permitem instalação de ar-condicionado, causando danos a computadores e desconforto ao servidores. No segundo piso, nove das 12 salas são desprovidas de janelas.

O prédio ainda tem uma estranha abertura no segundo piso, a “porta suicida” como é conhecida, pois quem a abre depara com o “nada” .