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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

GCM COMUNITÁRIA


GCM deve mudar e ter caráter 'comunitário', afirma Haddad. Ao comentar agressão a skatistas na Praça Roosevelt, prefeito disse que efetivo da Guarda Metropolitana receberá novas orientações; episódio está sendo investigado

Artur Rodrigues, de O Estado de S.Paulo, 09 de janeiro de 2013


O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou que a Guarda Civil Metropolitana deve mudar e adotar uma postura "comunitária" em sua gestão, ao ser questionado sobre as agressões de membros da corporação a skatistas na Praça Roosevelt, na região central. "Não vamos admitir posturas que sejam incompatíveis com a própria guarda, que vai na minha gestão ter cada vez mais um caráter comunitário. Haverá uma orientação para todo efetivo", disse na manhã desta quarta-feira, 9, durante visita à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Haddad afirmou que a Subprefeitura da Sé deve intermediar a situação de tensão na praça. Frequentadores disseram ter medo de acidentes com os skatistas e moradores reclamam do barulho e de equipamentos danificados. "Não vejo dificuldade em superar aquela situação do ponto de vista da comunidade e a guarda está orientada para agir nesses casos com rigor", disse.

A "guarda comunitária" foi um termo cunhado durante a campanha eleitoral do petista em 2012. A escolha do promotor de Justiça Roberto Porto para o cargo de secretário de Segurança Urbana foi feita justamente para conduzir essa mudança de perfil da GCM. Em entrevista ao Estado, o secretário afirmou que os guardas-civis passarão por reciclagem e terão regras para diminuir a truculência. Entre as novidades, está a abordagem de moradores de rua somente na presença de assistentes sociais.


GCM que agrediu skatistas já era investigado

JULIANA DEODORO - O Estado de S.Paulo, 09/01/2012


O guarda-civil sem farda flagrado na sexta-feira em um vídeo agredindo skatistas na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, já respondia a um processo na Corregedoria-Geral da Guarda Civil Metropolitana. Identificado como Luciano Medeiros, ele já era investigado por agressão. Assim como no caso da filmagem dos skatistas (compartilhado na internet e com quase 2 milhões de visualizações até ontem), o caso anterior também foi divulgado na rede.



Em outubro, Medeiros, mais uma vez sem farda, foi flagrado agredindo um vendedor ambulante no centro da capital. Em uma gravação divulgada na época pelo SBT e que voltou a circular nos últimos dias, ele tenta imobilizar um homem sem camisa que grita de dor. Com o camelô já parado, ele o segura no chão, empurrando sua cabeça contra o asfalto.

Pessoas que passavam na rua eram proibidas de interferir por outros guardas, que faziam uma espécie de barreira humana. Levado à delegacia, o ambulante disse que teve os dois braços quebrados, o que é negado pela reportagem.

Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, Medeiros faz parte do Grupo de Ações Estratégicas e de Inteligência (Gaei). Desde 3 de janeiro, com a posse da nova gestão, os integrantes da GCM não podem mais cumprir suas atividades à paisana.

Em nota, a secretaria diz que Medeiros descumpriu mais essa determinação da corporação. Por todos esses motivos, ele poderá sofrer suspensão preventiva de até 120 dias, com desconto de um terço do salário ou até exoneração do cargo.

Processo. Em coletiva de imprensa ontem - após a visita do subprefeito da Sé, Marcos Barreto, à Roosevelt para se inteirar da situação da praça -, a comandante operacional do centro, Lindamir Magalhães, afirmou que os abusos e excessos dos guardas estão sendo apurados.

Questionada se Medeiros estaria na base da GCM naquele momento, a comandante confirmou. "Quando a secretaria veicula que ele está afastado, significa que ele continua atrelado à unidade, mas fica em serviços internos", disse. "Para todo processo existe um tempo legal. O processo foi aberto. Ele tem direito a ampla defesa e as imagens divulgadas também serão utilizadas."

A repercussão do vídeo em que Medeiros agride física e verbalmente skatistas foi além do número de visualizações. O guarda foi identificado na internet e seu perfil no Facebook virou alvo de hackers. Seu nome, CPF e telefone foram divulgados e o link para seu perfil foi espalhado para que usuários pudessem deixar mensagens. Diante desse achaque virtual, o guarda cancelou sua conta na rede social.