ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MÁFIA DO JOGO - Cobrando propina para proteger contraventores

A SERVIÇO DO JOGO. PM cobra propina para proteger contraventores - GIOVANI GRIZOTTI | RBS TV - ZERO HORA, 09/12/2010.

Uma reportagem da RBS TV mostrou o envolvimento de policiais militares com a exploração de máquinas caça-níqueis em Porto Alegre. A revelação, feita por contraventores, foi mostrada por imagens gravadas com uma câmera escondida. Um soldado lotado no 19º Batalhão de Polícia Militar diz cobrar R$ 500 por semana para proteger casas de jogos ilegais.

Conforme os contraventores ouvidos pela reportagem, o envolvimento de PMs no esquema ocorre de três maneiras: segurança nas casas de jogos, cobrança de pedágio – que pode ser mensal – e revenda de peças apreendidas durante as operações.

– A gente deu dinheiro para eles de novo e desse dia em diante a gente começou a pagar toda semana. Foi feito um acerto para eles não fecharem (a casa de jogos) e em troca também de informação de quando viesse a Brigada – disse um dos donos de bingo, que pediu para ter o nome preservado.

O valores são altos. Segundo o contraventor, PMs chegam a pedir de R$ 5 mil a R$ 10 mil por mês, dependendo da movimentação da casa.

Após uma operação da BM, em Porto Alegre, máquinas caça-níqueis foram quebradas e todas ficaram sem o chamado noteiro, por onde é colocado o dinheiro da aposta, e a placa mãe, que controla os jogos. Essas peças, as mais caras, são apreendidas e depois seriam revendidas pelos próprios PMs, conforme um ex-proprietário de bingo. Ele conta que alguns policiais sequer registram o Termo Circunstanciado (TC):

– Se não tem TC, eles não precisam entregar material. Tem brigadiano que tem esse material em casa, tu ligas, ele vem e te entrega.

Com uma câmera oculta, a reportagem gravou uma conversa entre o soldado Valdir Sidinei Costa, o Cid, 44 anos, e dois homens que se apresentaram como donos de casas de jogos. Na conversa, o PM disse que atua na proteção a casas de jogos há seis anos. Uma delas, no Morro Santa Tereza, teria funcionado por 90 dias, graças ao esquema. Conforme o PM, o local só foi fechado após uma operação do Ministério Público. A promotora de Justiça Sônia Moensch confirmou ter realizado uma operação no local.

Soldado será investigado e poderá ser expulso da BM

Em troca de proteção, o soldado diz cobrar R$ 500 por semana. Também indica colegas de farda para fazer a segurança nos bingos clandestinos.

– Não vai te incomodar com ninguém, vou botar cara profissional lá, a trabalhar. Então, já vou te preparando. Tu vai dar mais ou menos uns R$ 500 por semana. Tu não vai te envolver, tudo é comigo – disse o soldado, sem saber que estava sendo filmado.

Procurado pela reportagem da RBS TV após a gravação, o policial negou todas as acusações. O telefone dele foi encontrado na memória do celular de um contraventor, apreendido pela Força-Tarefa de Combate aos Jogos Ilegais do Ministério Público.

O comandante do 19º BPM, tenente-coronel Alberto Iriart, anunciou abertura de inquérito e disse que o soldado poderá ser expulso:

– Aquele cidadão que, investido da condição de policial, pratica atividades criminosas é pior que o próprio criminoso – afirmou o comandante do batalhão.

Dono de bingo compara com milícia carioca

Reportagem da RBS TV revela que policial exigia R$ 500 por semana de donos de caça-níqueis. O dono de uma das casas de jogos afirmou que está desistindo do negócio ilegal, porque não tem mais dinheiro para pagar propina a PMs. Ele compara o esquema aos grupos de policiais que controlam favelas no Rio de Janeiro.

O que tá acontecendo em Porto Alegre hoje é uma milícia. Tem brigadiano aí que só fica rodando 24 horas atrás de pontos. Eles dizem: aquele setor é meu, aquele bairro é meu, lá ninguém mete a mão – afirma o contraventor.