ALERTA: A criminalidade e a violência crescem de forma assustadora no Brasil. Os policiais estão prendendo mais e aprendendo muitas armas de guerra e toneladas de drogas. A morte e a perda de acessibilidade são riscos presentes numa rotina estressante de retrabalho e sem continuidade na justiça. Entretanto, os governantes não reconhecem o esforço e o sacrifício, pagam mal, discriminam, enfraquecem e segmentam o ciclo policial. Os policiais sofrem com descaso, políticas imediatistas, ingerência partidária, formação insuficiente, treinamento precário, falta de previsão orçamentária, corrupção, ingerência política, aliciamento, "bicos" inseguros, conflitos, autoridade fraca, sistema criminal inoperante, insegurança jurídica, desvios de função, disparidades salariais, más condições de trabalho, leis benevolentes, falência prisional, morosidade dos processos, leniência do judiciário e impunidade que inutilizam o esforço policial e ameaçam a paz social.

sábado, 4 de dezembro de 2010

CORRUPÇÃO - Existe a síndrome do policial marginal?


Existe a síndrome do policial marginal? - Jô Rodrigues, O GLOBO, 03/12/2010 às 16h21m; Artigo do leitor

Lendo O Globo desta sexta-feira, uma matéria me causou estranheza. Segundo o texto, oficiais da alta patente do Exército e da Marinha não querem que seus comandados fiquem muito tempo patrulhando as favelas, conflagradas pelo tráfico, como preconizou o governador do Rio, Sérgio Cabral, para colaborar com as forças policiais locais. As autoridades acham que se seus comandados conviverem com os policiais cariocas poderão ser contaminados pela corrupção.

Quer dizer que os generais e os almirantes vêem seus soldados como alunos jovens que não resistirão ao convívio com gente grande? Ou será que eles estão corretos e muitos PMs estão mais para bandidos do que para mocinhos? Ou ainda, como no jargão popular, transformados em policiais marginais? Antes que joguemos pedras nos homens de preto, do bravo Bope, ou nos de azuis, da garbosa e tradicional Polícia Militar, é bom que tenhamos em mente que maus profissionais existem em todas as classes e até vemos alguns no seio de religiões milenares. É assim desde que Adão e Eva surgiram na Terra. Não podemos estigmatizar os heróis do Alemão, da Vila Cruzeiro, da Chatuba e afins, que despertaram sentimentos de gratidão e elogios na população carioca, no país e no mundo, tendo por base meia dúzia de infratores.

É só termos em mente os milhares de homens fardados que tomaram de assalto as fortalezas do tráfico, para vermos que as exceções são poucas, pouquíssimas. Portanto, os generais e almirantes precisam ter em mente que, até o Exército pode abrigar criminosos. Um recente caso mostrou que, na periferia de Brasília, um soldado que presta serviços no Hospital das Forças Armadas (HFA) foi preso com um comparsa, assaltando pessoas, para roubar dinheiro e colocar gasolina no carro. Há também o caso de outro militar que, na recente Parada Gay no Rio de Janeiro, atirou, pelas costas, sem mais nem menos, num rapaz homossexual, se escondeu e só foi preso porque populares o identificaram. Policiais marginais, soldados marginais, padres e pastores pedófilos, há de tudo aqui e ali. Todos são seres humanos e, como tais, sujeitos ao erro. Há de tudo um pouco na cabeça de cada um.

Ora, senhores comandantes do Exército e da Marinha, um dos fatores mais importantes no sucesso da guerra contra os marginais foi exatamente a união entre as diversas forças de Segurança e das Forças Armadas que botaram os traficantes para correr, vergonhosamente, como baratas tontas. Os antes temidos e respeitados comandantes do tráfico, até hoje, estão escondidos sob as camas de suas mães, dentro de esgotos ou dentro do mato, rezando para que ninguém os entregue.

Há perigo de contaminação dos soldados por parte de policiais corruptos? Pode haver. Mas creiam, senhores comandantes militares, que a recíproca também é verdadeira. Afinal, há maus profissionais em todas as profissões. Não esqueçam que todos os soldados, os policiais e os agentes civis, são seres humanos, com suas fraquezas, ambições e medos.